
Luanda, 04 abr 2025 (Lusa) — A UNITA anunciou hoje que não vai participar nas comemorações do 50.º aniversário da independência de Angola, enquanto Holden Roberto e Jonas Savimbi não forem reconhecidos como pais da independência e heróis nacionais.
Para a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), Holden Roberto, lÃder fundador da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), e Jonas Savimbi, fundador da UNITA, devem ser reconhecidos pelo Governo angolano como pais da independência e heróis nacionais, ao lado de Agostinho Neto, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975).
Numa declaração alusiva ao 23.º aniversário da Dia da Paz e Reconciliação Nacional, que hoje se assinala em Angola, a UNITA considera ser uma injustiça e estar-se “a torpedear” a história de Angola com o “contÃnuo não reconhecimento” da contribuição patriótica de Holden Roberto e Jonas Savimbi ao lado de Agostinho Neto — os três signatários do Acordo de Alvor com o Governo colonial português em 15 de janeiro de 1975, que concorreu para a independência de Angola.
Várias figuras da vida polÃtica (incluindo nacionalistas e ex-combatentes do FNLA, UNITA e MPLA) económica, social, cultural e desportiva de Angola constam da lista de condecorações que serão atribuÃdas hoje pelo Presidente angolano, João Lourenço, no âmbito das celebrações dos 50 anos da independência de Angola.
Pelo menos 247 personalidades constam desta primeira lista de homenageados e em vários cÃrculos polÃticos e sociedade civil questionam as ausências dos nomes de Holden Roberto, Jonas Savimbi e de outras figuras que fizeram parte dos três movimentos de libertação do paÃs.
O secretariado executivo do Comité Permanente da Comissão PolÃtica da UNITA manifesta igualmente “repúdio e indignação” pelo facto de no dia consagrado à Paz e a Reconciliação Nacional, o Governo “excluir cidadãos de reconhecido mérito em diversas áreas de atividade por razões polÃtico-ideológicas”.
“A independência, a paz, a democracia, a reconciliação nacional e o desenvolvimento são uma construção e conquistas de heróis e mártires, de sacrifÃcios incontáveis de filhos de Angola, cuja obra está registada na (…) história e inspiraram a ação das forças nacionalistas que se bateram contra o colonialismo português em Angola”, refere-se no comunicado.
Em relação ao aniversário da Paz e Reconciliação, a UNITA saúda e encoraja o povo angolano a continuar a luta pelos seus direitos polÃticos, sociais, económicos e culturais, plasmados na Constituição, pela defesa e preservação da paz, por um Estado Democrático de Direito e pela reconciliação nacional “efetiva”.
A UNITA constata que, volvidos 50 anos, desde a independência e 23 anos de paz, os angolanos continuam a viver uma “grave” crise polÃtica, económica, social, do direito e da justiça.
Neste sentido, o partido polÃtico refere que Angola regista um “retrocesso” dos indicadores do Estado democrático de direito, “perseguição e demonização” de adversários polÃticos e negação à igualdade de tratamento por parte das entidades que exercem o poder público, negação ao direito de tratamento imparcial da imprensa pública e outros.
Sobre os festejos dos 50 anos de independência a serem assinalados em 11 de abril de 2025, a UNITA rejeita “categoricamente” participar de galas festivas “enquanto compatriotas morrem de fome e de doenças evitáveis, como a cólera, e milhares de crianças continuarem a disputar migalhas nos contentores de lixo”.
DAS // JMC
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