
Luanda, 31 ago 2023 (Lusa) — A UNITA, maior partido da oposição angolana, manifestou preocupação com “um desvio deliberado” dos propósitos que estiveram na base da criação da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das VÃtimas dos Conflitos PolÃticos (Civicop).
Num comunicado, o Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão PolÃtica da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) refere que tomou conhecimento por via de uma reportagem difundida pela Televisão Pública de Angola, sobre a descoberta de ossadas, “que alegadamente pertencem a antigos dirigentes da UNITA, vÃtimas de conflitos internos”.
No documento sublinha-se que “a Civicop foi criada no espÃrito de perdão e com o propósito de reconciliar a famÃlia angolana bem como honrar a memória das vÃtimas, ocorridas em todas as provÃncias do paÃs, durante a guerra fratricida e conflitos internos”.
“Este propósito, na altura, foi saudado e apoiado pela direção da UNITA tendo, para o efeito, indicado dois representantes para a mesma comissão”, refere-se no comunicado.
Para a UNITA, é uma preocupação o “desvio deliberado dos propósitos que estiveram na base da criação da Civicop, pois esta foi transformada numa instrumentalidade partidária de arremesso e julgamento público de adversários polÃticos como inimigos”.
“O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão PolÃtica da UNITA condena veementemente a forma como a Civicop exibiu as ossadas de algumas das vÃtimas, em desrespeito pelas famÃlias, valores e tradições africanas, pelo que exige a retomada dos objetivos e princÃpios que nortearam a sua criação, o mais urgente possÃvel”, destaca-se na nota.
A UNITA informa que o seu Comité Permanente vai reunir-se brevemente “para analisar a situação” agora criada “e ponderar os passos subsequentes”.
Nos últimos dias, a Civicop anunciou que terá localizado, no municÃpio do Cuemba, provÃncia do Bié, as ossadas de Ana Savimbi, dos generais Bock, Perestelo, Tarzan e Antero, através de reportagens divulgadas pela televisão pública angolana.
Em 2019, o Presidente angolano, João Lourenço, criou a Civicop, encarregue do plano geral de homenagem à s vÃtimas dos conflitos polÃticos, que ocorreram em Angola, entre 11 de novembro de 1975 e 04 de abril de 2002, e dois anos depois pediu desculpas à s famÃlias, em nome do Estado angolano, estando em curso o processo de identificação e exumação dos corpos que devem ser entregues à s famÃlias para funerais condignos.
Entre os conflitos destacam-se a “intentona golpista do 27 de Maio [de 1977] ou eventuais crimes cometidos por movimentos ou partidos polÃticos no quadro do conflito armado”.
No âmbito do processo, foram já entregues à s famÃlias as ossadas de dirigentes da UNITA mortos nos conflitos pós-eleitorais, em 1992, nomeadamente Salupeto Pena, Jeremias Chitunda, Mango Alicerces e Eliseu Chimbili.
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