
Luanda, 18 nov 2022 (Lusa) — O lÃder da UNITA, maior partido da oposição angolana, disse hoje, em Luanda, que é preciso normalizar as eleições, porque Angola viveu, nos últimos três anos, um “ambiente de terrorismo de Estado, completamente antidemocrático” devido ao processo eleitoral.
Adalberto Costa Júnior discursava na abertura da II reunião ordinária da Comissão PolÃtica da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que decorre em Viana, provÃncia de Luanda, entre hoje e sábado.
“Nós estamos a dizer isto para não repetir, para virarmos a página da convivência, do diálogo, afinal, somos filhos do mesmo paÃs, somos angolanos, pretendemos o bem de Angola e não faz sentido acirrar os ânimos, quando se tem uma eleição que afinal é cÃclica, é regular, vai acontecer muitas vezes, e nós precisamos fazer diferente, mas não podem ser discursos apenas, tem que ser práticas e factos”, sublinhou.
Segundo Adalberto Costa Júnior, em Angola as eleições quase paralisam o paÃs, com processos muito longos e “as últimas não foram exceção”.
“As eleições de agosto último, praticamente tiveram uma pré-campanha de quase um ano e meio, o paÃs viveu quase exclusivamente com foco nas eleições durante uma parte substantiva de 2021 e durante todo o ano de 2022”, frisou.
O presidente da UNITA defendeu que é preciso “deixar de proceder desta forma”, porque “são imensos os danos que o paÃs acarreta por causa desse posicionamento”.
“Nós temos que normalizar o funcionamento das instituições e da nossa própria vida, temos que olhar para os processos eleitorais como circunstâncias cÃclicas e normais e não como algo extraordinário, as eleições vão ocorrer nos nÃveis e nos formatos comuns, dentro e fora das instituições e elas são boas, porque permitem renovação, porque não é bom quando se permanece muito tempo na interpretação de funções, ganham-se vÃcios e perde-se sensibilidade”, salientou.
De acordo com Adalberto Costa Júnior, todo o ano de 2021 foi formatado em função das eleições de 2022, e além da pandemia da covid-19, “vieram os jogos sem limites, na tentativa da manutenção do poder”.
“Praticamente, os últimos três anos foram anos de um conflito sem limites, sem regras, sem normas, sem parâmetros democráticos, desadequados a um Estado democrático e de direito, desadequados aos valores constitucionais, que estão bem respaldados na Constituição da República e nas leis da República de Angola”, disse.
Apesar do quadro descrito, Adalberto Costa Júnior disse que as eleições correram bem, assim como a campanha eleitoral, mesmo com “muitos incidentes”.
“Diria mesmo que houve incidentes em todos os atos da campanha, [porém] nós soubemos contorná-los e passar a mensagem de festa e de esperança”, realçou.
Sobre as eleições gerais de 24 de agosto passado, o polÃtico disse que “trouxeram uma mensagem poderosa para todos, não só para o regime”.
“Estas eleições marcaram uma diferença substancial com todas as anteriores. Estou seguro que os angolanos desta vez mandaram uma mensagem para dentro dos partidos polÃticos, também para nós, estas eleições não foram as tradicionais eleições de contexto histórico emocional, acabou esse tipo de votação”, destacou.
“Os angolanos foram votar em função do programa e em função das lideranças e das propostas polÃticas, desta vez nós sentimos mais do que antes, indiscutivelmente mais, de que votaram naqueles programas que podiam realizar o seu sonho e a sua dignidade e votaram massivamente. Houve deslocação histórico emocional nestas eleições, é indiscutÃvel”, acrescentou.
O lÃder da UNITA lamentou o ambiente pós-eleitoral “cheio de ameaças, de prisões, que atingiram um pouco transversalmente a sociedade”.
“Não atingiram apenas os partidos polÃticos, atingiram também os ativistas cÃvicos, o cidadão. Temos o caso de um companheiro nosso agredido, a esposa os braços cortados várias vezes por facas quentes”, citou Adalberto Costa Júnior, referindo-se ao caso, ocorrido em setembro, com o jornalista da Rádio Despertar, ligada à UNITA, Emanuel “Cláudio In”, criticando o silêncio das autoridades.
As eleições gerais de Angola realizadas em agosto deste ano ficaram marcadas por contestações dos partidos concorrentes, que alegaram falta de transparência em todo o processo eleitoral, que reconduziu João Lourenço, lÃder do MPLA, a Presidente da República, num segundo mandato.
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