UNITA condena “atos de intolerância política” e acusa regime de criar clima de medo

 Luanda, 01 mar 2026 (Lusa) — A UNITA, principal partido da oposição angolana, condenou em termos “os atos de intolerância política” em Angola, acusando o regime de promover um “clima de medo nas populações”, sobretudo em períodos pré-eleitorais.

No comunicado final da II reunião ordinária do Comité Permanente da Comissão Política, realizada no  sábado em Luanda sob orientação do presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, a UNITA considera que estes atos ocorrem “de forma cíclica sempre em períodos pré-eleitorais, como estratégia do regime tendente a incutir o clima de medo nas populações”.

O documento, divulgado hoje na página oficial de Facebook do líder do partido, analisa a situação política, económica e social do país e manifesta preocupação com vários aspetos.

Entre outros pontos, o Comité Permanente expressa “preocupação” face à criminalização do exercício de direitos políticos e civis, nomeadamente a liberdade de manifestação e de reunião, o direito à critica política e outros, concretizada na Lei das Fake News, na Lei das Carreiras Militares e no Código de Disciplina Militar, recentemente aprovados pela Assembleia Nacional e “direcionados aos atores político-partidários, ativistas e defensores de direitos humanos, incluindo os membros da sociedade civil”

O partido critica igualmente a degradação das condições socioeconómicas “impostas aos angolanos”, apontando como consequência “a fuga massiva de cidadãos, com particular realce para quadros, empresários e jovens, para o exterior do país”.

A UNITA critica também a política de privatizações e de adjudicações diretas, que, segundo o partido, “se traduzem numa forma subtil de peculato e corrupção”, e reafirma o compromisso com a construção de “um país verdadeiramente democrático, mais justo e igual para todos”.

O Comité Permanente aprovou ainda o plano de ação do partido para 2026 e as linhas gerais de uma proposta de Pacto de Estabilidade Democrática a apresentar a partidos políticos, igrejas e organizações da sociedade civil.

 

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