Unicef vê com “profunda preocupação” rapto de crianças em Cabo Delgado

Maputo, 12 fev 2026 (Lusa) – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestou hoje “profunda preocupação” com o rapto de crianças por grupos extremistas na província moçambicana de Cabo Delgado, sublinhando serem “violações” que as expõem a danos psicológicos graves.

“Expressamos profunda preocupação relativamente aos relatos de raptos e do recrutamento e uso de crianças por grupos armados não estatais no norte de Moçambique”, lê-se num comunicado da Unicef, assinalando hoje o dia Internacional Contra o Recrutamento e Uso de Crianças em Conflitos Armados.

A Unicef cita no comunicado o relatório Anual do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre Crianças e Conflitos Armados (CAAC) de 2025, que apontou um aumento de 525% nas violações graves verificadas contra crianças em Moçambique, referindo que estes casos expõem as crianças a danos físicos, psicológicos e emocionais graves e aumentam o risco de perpetuação de ciclos de violência.

“A história de Moçambique demonstra as consequências a longo prazo do recrutamento e uso de crianças por grupos armados, reforçando a importância de uma ação contínua para quebrar este ciclo”, alerta a Unicef.

Para esta agência das Nações Unidas, incidentes recentes envolvendo graves violações contra crianças, incluindo raptos, recrutamento e uso de menores, sublinham a necessidade de reforçar as medidas de prevenção, proteção e responsabilização, citando casos registados em princípios de fevereiro sobre rapto de menores em Cabo Delgado, norte de Moçambique.

A Unicef apelou ao Governo moçambicano para prevenir estas violações contra menores, garantir a libertação de crianças das forças e grupos armados e assegurar a sua proteção, recuperação e reintegração nas famílias.

“O Governo de Moçambique deu passos importantes para reforçar a proteção das crianças afetadas pelo conflito, através da formação das forças de segurança,” afirmou Mary Louise Eagleton, representante da Unicef em Moçambique, citado no comunicado.

A agência pede que o país avance no reforço da prevenção dos casos a partir da comunidade, combatendo vulnerabilidades a partir do acesso à educação e aposta na contínua capacitação das Forças de Defesa e Segurança para terem competências e orientações para prevenir o recrutamento e uso de crianças.

Em 03 de fevereiro, a Unicef apelou para a proteção e respeito pelos direitos das crianças, pedido a libertação imediata de menores raptadas por supostos grupos armados em Cabo Delgado.

O primeiro ataque em Cabo Delgado foi registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estimou anteriormente que a província de Cabo Delgado registou seis eventos violentos em duas semanas, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram pelo menos três mortos, elevando para 6.432 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da ACLED, com dados de 12 a 25 de janeiro, dos 2.310 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.146 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

No relatório é sublinhado que o EIM, neste período em análise, “realizou um raro ataque com morteiros contra posições ruandesas em Macomia”, entre “confrontos contínuos” com as forças do Ruanda, que apoiam os militares moçambicanos no combate aos grupos insurgentes na província de Cabo Delgado.

“O grupo também se tem concentrado no reabastecimento das suas forças durante a difícil estação chuvosa, particularmente no litoral, onde mantém certa liberdade de movimento por barco. Em outros locais, um ataque a uma mina de ouro em Niassa, juntamente com ações de um grupo criminoso em Metuge que se fez passar por insurgentes, ilustram o ambiente cada vez mais complexo em que as forças de segurança precisam de operar”, aponta-se no relatório da ACLED.

 

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