
Bruxelas, 17 ago 2021 (Lusa) — Os chefes da diplomacia da União Europeia (UE) decidiram hoje avançar com a retirada de civis e diplomatas do Afeganistão, isto é, pelo menos 400 pessoas, devido à “situação perigosa”, anunciou o Alto Representante para PolÃtica Externa.
“A principal conclusão deste encontro é que o primeiro objetivo, a prioridade, é assegurar a retirada nas melhores condições de segurança dos cidadãos europeus ainda estão presentes no paÃs e também dos cidadãos que trabalham connosco há mais de 20 anos”, disse o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.
“Se eles quiserem deixar o paÃs, não podemos abandoná-los”, acrescentou, falando em conferência de imprensa após uma videoconferência extraordinária convocada para esta tarde.
Na ocasião, o responsável precisou que Espanha se disponibilizou a receber temporariamente estes cidadãos e ajudá-los com a situação dos vistos e que Itália comprometeu-se a facilitar a ponte aérea.
Josep Borrell disse ainda que França se disponibilizou para “fornecer segurança militar no terreno”.
“Isto vai permitir ter a estrutura necessária para a retirada a quase 400 pessoas e respetivas famÃlias que têm trabalhado no apoio à nossa delegação e à s nossas missões [europeias] no Afeganistão”, adiantou o responsável, vincando que “a situação no terreno está a desenrolar-se rápido e a tornar-se perigosa”.
Outra conclusão da reunião extraordinária de hoje dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE é que “é necessário assegurar que a nova situação polÃtica criada no Afeganistão não conduza a um movimento migratório em grande escala para a Europa” e ainda que “é preciso dialogar com as autoridades em Cabul, independentemente de quem sejam”.
Josep Borrell apontou, ainda assim, que “é preciso tirar lições do que aconteceu”, já que “foram cometidos alguns erros, especialmente sobre a avaliação da capacidade militar do exército afegão para resistir à ofensiva talibã”.
Os talibãs conquistaram Cabul no domingo, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.
As forças internacionais estavam no paÃs desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o lÃder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.
A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal.
Face à brutalidade e interpretação radical do Islão que marcou o anterior regime, os talibãs têm assegurado aos afegãos que a “vida, propriedade e honra” vão ser respeitadas e que as mulheres poderão estudar e trabalhar.
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