
BrasÃlia, 26 jun 2024 (Lusa) – Uma centena de indÃgenas brasileiros protestou na quarta-feira contra o Governo de Lula da Silva devido à s milionárias concedidas ao poderoso setor agrÃcola, com o qual estão em conflito por causa da posse de terras.
Na capital brasileira, BrasÃlia, os indÃgenas criticaram o facto de os fundos atribuÃdos aos povos indÃgenas e ao processo de demarcação e regularização das suas terras serem “Ãnfimos” em comparação com os recebidos pelos latifundiários.
Munidos de cartazes pedindo a demarcação das suas terras e gritando “sem regularização não há exportação”, os indÃgenas percorreram a avenida onde estão localizadas as sedes dos ministérios, parando no Ministério da Agricultura, antes de seguir para o Congresso e Supremo Tribunal Federal.
A crÃtica é dirigida especificamente ao Plano Safra, por meio do qual o Governo oferecerá créditos e recursos no valor de 500 mil milhões de reais (86,21 mil milhões de euros) para apoiar a produção agrÃcola nacional, incentivando sistemas de produção ambientalmente sustentáveis.
Entre as populações indÃgenas mais afetadas estão as do sul, centro e oeste do Brasil, regiões predominantemente agrÃcolas.
Nessas regiões, os povos indÃgenas também sofrem as consequências das alterações climáticas, com as fortes secas no centro e oeste do paÃs e as chuvas torrenciais que caem no sul do paÃs há mais de um mês.
De acordo com dados oficiais, os povos indÃgenas ocupam cerca de 14% do território nacional, em cerca de 600 áreas já demarcadas, à s quais se somam outras 120 ainda em análise.
A demarcação de terras indÃgenas, uma obrigação do Estado segundo a Constituição, ficou suspensa entre 2019 e 2022, durante a gestão do então Presidente Jair Bolsonaro, e foi retomada no ano passado pelo Governo de Lula da Silva.
No entanto, dos catorze territórios prontos para demarcação, o Governo regularizou até agora dez e os outros quatro estão pendentes de negociação.
Estas terras estão atualmente ocupadas por latifundiários que, no passado, expulsaram os indÃgenas.
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