
Lima, 15 mai 2026 (Lusa) – O candidato ultraconservador à presidência do Peru, Rafael López Aliaga, exigiu à comissão eleitoral que realize uma nova votação no prazo de 48 horas, depois de ter sido eliminado da segunda volta.
A Junta Nacional Eleitoral (JNE) peruana “tem 48 horas para declarar novas eleições até domingo”, afirmou López Aliaga na quarta-feira.
É precisamente no domingo que a JNE planeia anunciar oficialmente os resultados da primeira volta, na qual a candidata de direita Keiko Fujimori conquistou 17,1% dos votos.
Após uma longa recontagem realizada depois da primeira volta, a 12 de abril, o candidato de esquerda Roberto Sánchez qualificou-se para a segunda volta com uma vantagem de cerca de 18.800 votos sobre López Aliaga, com 12% e 11,9% dos votos, respetivamente, segundo resultados quase finais.
Com apenas 55 atas restantes para apurar, representando cerca de 16.500 votos, já não parece possível uma inversão da tendência.
“No dia em que anunciarem a sua lista fraudulenta, vamos contestá-la (…) a única forma de me derrotar foi através de fraude, e não reconhecemos um governo ilegítimo”, insistiu López Aliaga.
O candidato da extrema-direita e antigo presidente da Câmara da capital peruana Lima, tem vindo a denunciar, sem provas, fraudes e irregularidades no processo eleitoral há várias semanas.
Durante a primeira volta, atrasos na entrega do material eleitoral impediram mais de 50 mil eleitores de votar, obrigando as autoridades a prolongar a votação por um dia.
“Eles sabem da enorme fraude que estão a cometer; as atas de apuramento perderam-se. Que raio de processo é este? Fizeram tudo mal”, protestou López Aliaga.
A missão de observação eleitoral da União Europeia mencionou “graves deficiências”, mas afirmou não ter encontrado “nenhuma evidência objetiva” de fraude.
Esta será a quarta tentativa de Keiko Fujimori, 50 anos e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, candidatar-se à presidência, e a primeira vez de Roberto Sanchez, de 57 anos.
No passado fim de semana Keiko Fujimori e Roberto Sánchez já tinham lançado a campanha para a segunda volta com comícios em Lima.
Mais de 27 milhões de eleitores foram chamados a votar neste escrutínio obrigatório, que também deve renovar o parlamento, com o regresso a um sistema bicameral inédito desde 1990.
VQ (ATR) // CAD
Lusa/Fim
