
Bruxelas, 13 fev 2020 (Lusa) — A Comissão Europeia disse hoje ser “muito difÃcil” prever o impacto do novo coronavÃrus na economia europeia, afirmando que isso depende da duração e da dimensão do surto, mas admitiu preocupação, dada a importância da China a nÃvel mundial.
A Comissão Europeia manteve hoje a previsão de crescimento da economia da zona euro em 1,2% este ano e 2021, após consecutivas revisões em baixa, estabilização que atribui à s repercussões económicas do novo coronavÃrus, contrabalançadas com melhorias no emprego.
Falando na conferência de imprensa destas previsões económicas intercalares de inverno do executivo comunitário, em Bruxelas, o comissário europeu para a Economia, Paolo Gentiloni, disse ser “muito difÃcil ter, de momento, uma previsão razoável relativamente à dimensão deste surto e à sua dimensão”, pelo que rejeitou apontar impactos económicos ou quais os paÃses da União Europeia (UE) mais expostos.
Ainda assim, “é óbvio que os maiores problemas vão registar-se na cadeia de valores, nomeadamente na indústria manufatureira e em setores como o turismo”, referiu.
“Que vamos ter consequências, isso é claro, mas a dimensão dessas consequências está ligada à sua duração”, insistiu Paolo Gentiloni.
Ainda assim, o comissário europeu alertou para o facto de estes impactos estarem também relacionados com a “importância global da economia chinesa”.
“Estamos sempre a comparar o coronavÃrus com a epidemia SARS [sÃndrome respiratória aguda grave] de 2003, mas devemos ter em conta que a economia chinesa, na altura, representava 4,5% da economia global e agora representa 17,7%”, assinalou.
Além disso, “a China representa 18% das viagens de turismo a nÃvel mundial”, adiantou Paolo Gentiloni.
Em causa estão as previsões económicas intercalares de inverno do executivo comunitário, hoje divulgadas em Bruxelas, que apontam para um “crescimento constante e moderado” de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2021 na área do euro, mantendo inalteradas as anteriores projeções do outono do ano passado.
Bruxelas explica no documento que “as perspetivas para 2020 e 2021 permanecem inalteradas desde o outono porque os desenvolvimentos positivos estão a ser contrabalançados com eventos negativos”.
Assim, apesar de realçar a “criação contÃnua de emprego, o crescimento robusto dos salários e uma combinação das polÃticas [monetárias] de apoio”, o executivo comunitário admite que “o ambiente externo continua desafiador”, gerando então esta situação de estabilidade.
Um dos principais fatores externos desfavoráveis apontados por Bruxelas é o surto do novo coronavÃrus, que “gerou incertezas sobre as perspetivas de curto prazo da economia chinesa e sobre o grau de rutura nas fronteiras num momento em que a atividade de manufatura a nÃvel global permanece em nÃveis cÃclicos baixos”, de acordo com o documento.
A Comissão Europeia avisa que, “quanto mais tempo [o surto] dura, maior a probabilidade de existirem efeitos indiretos sobre o sentimento económico e as condições de financiamento global”.
Também a incerteza nas relações comerciais entre Bruxelas e Londres, após o ‘Brexit’, pesou nesta equação, adianta o executivo comunitário.
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