
Bruxelas, 19 fev 2021 (Lusa) – Portugal defende que a União Europeia (UE) deve criar “estruturas amplas de parceria” com o Reino Unido ao nÃvel da polÃtica de defesa e segurança, afirmou hoje o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho.
Numa conferência de alto nÃvel que debatia o futuro da segurança e defesa da UE, João Gomes Cravinho destacou a necessidade de “fazer parcerias melhor e mais estrategicamente”, através da intensificação da “cooperação” e de “novas dimensões” no trabalho com parceiros tradicionais.
Dando os exemplos do Canadá e da Noruega, o ministro apelou a que, “no futuro”, também com o Reino Unido se crie “não apenas mecanismos corporativos necessários, mas também estruturas amplas de parceria”.
Ao mesmo tempo, defendeu a necessidade de uma relação “mais forte” com os Estados Unidos, especialmente em áreas como as “ameaças hÃbridas” ou as “falhas de capacidade”, entre outras.
“A UE é o aliado mais efetivo dos EUA. Portanto, entendemos que deveria haver, brevemente, um diálogo de segurança e defesa entre as duas regiões ao nÃvel ministerial”, assinalou.
Quanto a organizações multilaterais como a NATO e as Nações Unidas, João Gomes Cravinho acredita que deveria haver “diálogos estratégicos regulares também ao nÃvel ministerial”.
Por isso, sublinhou que a Bússola Estratégica, que abarca três fases – uma análise de ameaças à UE, o estabelecimento de objetivos estratégicos para reforçar a UE enquanto ator de segurança e defesa e a criação de orientações polÃticas para procedimentos de planeamento militar -, deve estar articulada com “uma revisão do conceito estratégico da NATO”.
Para tal, é necessário coordenar os diálogos “polÃtico de alto nÃvel” e de “nÃvel técnico”, apontou.
Além das parcerias com outros paÃses, o ministro referiu ainda os restantes três pilares da futura estratégia comum da UE, nomeadamente o “gerenciamento de crises”, a “resiliência” e as “capacidades”.
Sobre a gestão de crises, João Gomes Cravinho destacou a “habilidade de desenvolver missões e operações de polÃticas comuns de segurança e defesa da UE que correspondam à s necessidades” europeias e, para isso, considerou serem precisos “requerimentos mais práticos, sistemas de controlo mais robustos, um melhor planeamento antecipado baseado em cenários de crise, e mandatos mais robustos para as missões” da UE.
Segundo o ministro, a pandemia de covid-19 fez notar “a necessidade de fazer melhor no que toca a lidar com emergências complexas” e, nesse contexto, a resiliência deverá incluir dois aspetos: “tudo o que seja objeto de ação inimiga, o que requer que sejamos muito dinâmicos na identificação de possÃveis ações de inimigos”, e “qualquer aspeto que possa requerer uma aplicação extensiva de capacidades militares”.
No entanto, o responsável considera também que a pandemia mostrou “exemplos de boas práticas que deveriam ser a base para uma medicina militar civil conjunta”, que sirva de “resposta a emergências complexas”.
“DeverÃamos desenvolver exercÃcios regulares para acelerar procedimentos. Precisamos de desenvolver mecanismos, por exemplo, que nos permitam incorporar rapidamente capacidades militares de um paÃs noutro [paÃs] em resposta a emergências civis”, sublinhou.
O ministro propôs ainda a construção de uma “unidade ciber da UE”, a fim de “suplementar e coordenar os esforços nacionais” dos 27.
João Gomes Cravinho participou hoje numa conferência virtual de alto nÃvel, intitulada “Rumo a uma Bússola Estratégica? Reflexões sobre o Futuro da Segurança e Defesa da UE” e organizada pelo Ministério da Defesa e pelo Instituto da UE para Estudos de Segurança (EU-ISS, na sigla em inglês) no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE.
JAYG (TEYA) // MDR
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