
Estrasburgo, França, 15 dez 2025 (Lusa) — A diretora de uma organização de defesa dos direitos humanos na Geórgia, Hatia Jinjikhadze, afirmou hoje que a União Europeia (UE) podia ter feito mais para evitar a influência da Rússia no paÃs.
“O que importa agora é que a União Europeia tem que fazer o que pode para não perder a Geórgia como uma democracia”, declarou Hatia Jinjikhadze, numa entrevista conjunta com a imprensa internacional, no Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde irá receber o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento 2025 em representação da jornalista Mzia Amaghlobeli, que se encontra detida no paÃs que integrava a União Soviética.
A diretora da Civil Society Foundation afirmou que a maioria dos paÃses europeus são aliados da Geórgia e sublinhou que isso é notório “nas declarações e nas resoluções que são divulgadas pelo Parlamento Europeu”, mas defendeu que o apoio não pode resumir-se a isso.
“Nós precisamos também que sejam tomadas algumas ações mais decisivas para que os povos de Geórgia, defensores da democracia, prisioneiros polÃticos, pessoas como Mzia Amaghlobeli, não sejam deixadas sozinhas na sua luta”, salientou numa entrevista à Lusa.
A diretora da fundação, que quer aproximar o paÃs de valores europeus tais como a proteção dos direitos humanos, a liberdade de imprensa ou a integração de minorias, referiu ainda que o jornalismo no paÃs está a viver “os piores tempos”.
“Os media georgianos passaram por diferentes governos, repressões e hostilidades, mas o que nós estamos a assistir agora está acima de todos os limites”, sublinhou.
“Os jornalistas da Geórgia, e eu não estou a falar dos jornalistas que estão alinhados com o Governo, estou a falar dos media independentes, crÃticos, que servem o interesse público, eles estão a operar num ambiente muito hostil devido à s leis que foram introduzidas e que são muito repressivas”, adiantou.
Jinjikhadze acusou ainda as forças policiais de agredirem manifestantes pró-europeus e muitos jornalistas ao longo dos dois últimos anos.
“Há centenas de incidentes de ataques a jornalistas, quando eles cobrem protestos, quando caminham pelas ruas, quando cobrem casos em tribunal”, disse, acrescentando que muitos manifestantes foram também “brutalmente agredidos, torturados em carrinhas de polÃcia” após serem detidos.
Jinjikhadze acusou ainda o Governo georgiano, liderado pelo partido populista Sonho Georgiano, que bloqueou as negociações de adesão do paÃs à UE, de apoiar os polÃcias que perpetraram esses atos de violência.
“O resultado final é que ninguém foi punido, ninguém foi levado à justiça, pelo contrário, o Governo do Sonho Georgiano recompensou esses polÃcias pelo seu comportamento”, acrescentou.
Questionada sobre se uma eventual resolução do conflito da Ucrânia e os eventuais termos dessa resolução teriam impacto sobre a Geórgia, a defensora dos direitos humanos garantiu que sim.
“O resultado da guerra definitivamente influenciaria a Geórgia, mas não só a Geórgia, o mundo inteiro”, disse, considerando que influenciaria especificamente “a situação e a segurança da Europa”, bem como a Moldova, que está também no processo de adesão à UE.
Quanto ao apoio do povo georgiano à Ucrânia, frisou que esse é claro, sublinhando que “a maioria dos georgianos caminhou pelas ruas em apoio à Ucrânia”.
“Dizer que a vitória da Ucrânia na guerra resolveria os problemas da Geórgia não seria justo”, disse, admitindo que primeiro o paÃs precisa de resolver os seus próprios problemas polÃticos.
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*** A Lusa viajou a convite do Parlamento Europeu ***
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