
Bruxelas, 13 dez 2025 (Lusa) – A União Europeia (UE) exigiu hoje à s autoridades iranianas que libertem a ativista Narges Mohammadi, prémio Nobel da Paz 2023, detida na sexta-feira e em paradeiro desconhecido desde então.
Num comunicado, os 27 declaram “profunda preocupação” com a detenção de Mohammadi e de outros ativistas dos direitos humanos na cidade de Mashhad, durante uma cerimónia em homenagem do advogado e ativista Khosrow Alikordi, encontrado morto na semana passada no seu escritório, em circunstâncias consideradas estranhas.
“Narges Mohammadi, que já teve de suportar anos de prisão devido à sua defesa, continua corajosamente a usar a sua voz para defender a dignidade humana e os direitos fundamentais dos iranianos, incluindo a liberdade de expressão, que deve ser respeitada em todos os momentos”, sustentou, em comunicado, a diplomacia da UE.
O bloco comunitário insta as autoridades iranianas a libertarem Mohammadi, “tendo também em conta a sua frágil condição de saúde, bem como todos os que foram injustamente detidos no exercÃcio da sua liberdade de expressão”.
A procuradoria de Mashhad (nordeste do Irão) confirmou hoje a detenção de 39 pessoas durante a ação em memória de Alikordi por “perturbação da ordem pública”, segundo a televisão iraniana Iran International.
Narges Mohammadi, 53 anos, detido pela última vez em novembro de 2021, passou muitos anos atrás das grades.
A laureada com o Nobel recebeu uma licença temporária por motivos de saúde em dezembro de 2024, nomeadamente devido a problemas pulmonares.
No Irão, a agência de notÃcias Mehr citou o governador da cidade de Mashhad, onde ocorreram as detenções, Hassan Hosseini, dizendo que indivÃduos detidos na cerimónia entoaram “slogans considerados contrários à s normas públicas”.
Khosrow Alikordi, de 45 anos, era advogado e defendeu clientes em casos sensÃveis, incluindo dos detidos durante a repressão aos protestos que eclodiu em 2022.
O corpo do ativista foi encontrado em 05 de dezembro, com grupos de direitos humanos a pedirem uma investigação sobre a sua morte, que a organização iraniana de Direitos Humanos, baseada na Noruega, considerou “altamente suspeita de ser um assassinato estatal”.
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