
Berlim, 28 ago 2020 (Lusa) — O chefe da diplomacia europeia exigiu hoje que a Turquia se abstenha de “ações unilaterais” no Mediterrâneo, dadas as tensões com Grécia e Chipre, anunciando a aplicação de sanções, inicialmente dirigidas a indivÃduos, mas que poderão ser reforçadas.
“Relativamente ao Mediterrâneo Oriental e à Turquia, tivemos uma boa discussão, e somos claros a defender os interesses da UE [União Europeia] e a solidariedade para com a Grécia e o Chipre. A Turquia tem de se abster de ações unilaterais”, declarou Josep Borrell, falando no final de uma reunião informal com os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros, em Berlim.
Numa alusão à s perfurações ilegais que Ancara tem vindo a realizar nas zonas costeiras reivindicadas pela Grécia e pelo Chipre, o Alto Representante da UE para a PolÃtica Externa vincou que essas ações devem acabar “para permitir que o diálogo avance”.
“Queremos dar uma oportunidade [à Turquia] para dialogar […] e eu, como Alto Representante, tentarei encontrar um espaço para as negociações de todas as áreas da nossa complexa relação”, sublinhou Josep Borrell, falando necessidade de “melhorar” os laços diplomáticos e de servir “ambos os interesses da UE e da Turquia”.
Ainda assim, o chefe da diplomacia europeia admitiu um “aumento da frustração devido ao comportamento da Turquia”, razão pela qual os ministros dos Negócios Estrangeiros chegaram hoje a um “consenso polÃtico” sobre sanções autónomas a algumas pessoas na Turquia, que deverão ser “adotadas rapidamente”.
O objetivo é “adicionar alguns indivÃduos, propostos pelo Chipre, à lista sobre perfurações ilegais no Mediterrâneo Oriental, tendo em vista uma rápida adoção” de medidas restritivas relativas a esses cidadãos, precisou Josep Borrell.
Em causa estão limitações como congelamento de bens e proibição de viajar.
Mas as sanções da UE a Ancara poderão não ficar por aqui e é isso mesmo que estará em discussão na reunião dos chefes de Governo e de Estado da União de final de setembro.
“O Conselho Europeu pediu-me para apresentar uma série de propostas para serem negociadas […] e apresentei o que poderemos fazer, em termos gerais. Primeiro, estamos a criar essa lista de personalidades e daqui poderemos passar a abranger ativos e embarcações”, elencou Josep Borrell.
A UE poderá, também, começar a incluir nas medidas restritivas “tudo o que tenha a ver com essas atividades que considera ilegais, como passar a proibir o uso de portos, de tecnologia e de serviços europeus”, precisou.
Outra das hipóteses em cima da mesa é avançar com sanções à s “atividades económicas” e “setoriais” relacionadas com essas perfurações, adiantou.
As tensões entre os paÃses europeus — nomeadamente Grécia e Chipre — e a Turquia esteve em destaque na reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que decorreu entre quinta e sexta-feira em Berlim, e na qual Portugal esteve representado pelo ministro Augusto Santos Silva.
A Alemanha, que assegura neste segundo semestre do ano a presidência rotativa da União Europeia, envolveu-se em esforços de mediação para tentar apaziguar as tensões entre Chipre, Grécia e Turquia depois de Ancara ter decidido unilateralmente fazer prospeções de hidrocarbonetos no Mediterrâneo Oriental, desencadeando uma crise regional.
No caso da Grécia, tem-se verificado uma escalada da tensão no Mediterrâneo Oriental pela presença — numa zona reclamada por Atenas — de embarcações turcas de prospeção escoltadas por fragatas da Marinha de Guerra da Turquia.
As operações turcas começaram dias depois de a Grécia e o Egito terem assinado um acordo de delimitação das Zonas Económicas Exclusivas (ZEE), não reconhecido pela Turquia.
Já relativamente ao Chipre, a Turquia reivindica parte da ZEE da ilha e tem realizado operações de perfuração, insistindo que está a proteger os seus interesses e os dos cipriotas turcos nos recursos naturais da região.
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