Ucrânia: Zelensky anuncia sanções a “frota fantasma” russa e envolvidos em sequestro de crianças ucranianas

Kiev, 29 abr 2026 (Lusa) – O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou hoje novas sanções a 23 navios pertencentes à chamada “frota fantasma” russa e a pessoas envolvidas no sequestro de crianças ucranianas de territórios controlados pela Rússia durante a guerra.

Zelensky explicou que a primeira ronda de sanções visa os envolvidos na “deportação” de crianças ucranianas dos territórios “temporariamente ocupados” no leste e sudeste do país, privando-as da sua identidade e laços familiares.

“Entre os sancionados estão funcionários do sistema estatal russo, colaboracionistas no território temporariamente ocupado e propagandistas”, precisou o Presidente ucraniano numa mensagem nas redes sociais.

Outro pacote de sanções tem como alvo 23 navios cargueiros com os quais Moscovo tem tentado contornar as sanções internacionais ao seu petróleo. Estas restrições foram-lhes impostas, indicou, juntamente com os aliados da Ucrânia.

Zelensky alertou também de que o Governo russo pretende boicotar os acordos em matéria de defesa que Kiev conseguiu firmar com países do Médio Oriente e do Golfo Pérsico, em especial os relacionados com o desenvolvimento do seu programa de drones.

Segundo o chefe de Estado ucraniano, o Kremlin (presidência russa) identificou “a capacidade da Ucrânia para obter mais investimentos como um dos seus principais desafios” e, por isso, definiu como uma das suas “prioridades em matéria de política externa” tentar impedir e interromper esse tipo de parcerias.

O Presidente referiu ainda a crescente pressão dos “contingentes russos” nos países africanos, numa clara alusão ao apoio que o grupo paramilitar russo Afrika Korps prestou às Forças Armadas do Mali para travar uma tentativa de golpe de Estado há alguns dias.

“A expansão dessa atividade militar russa pode inevitavelmente levar à modernização e ao fortalecimento das organizações terroristas, ao crime transfronteiriço e à instabilidade em regiões migratórias de importância fundamental no mundo”, disse Zelensky, instando os parceiros “a combaterem conjuntamente” estas dinâmicas.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após o desmoronamento da União Soviética – e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia, e renuncie para sempre a aderir à NATO.

Estas condições para solucionar o conflito — constantes do plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump – são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam sólidas garantias de que não voltará a ser alvo de ataque.

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