
Bruxelas, 13 jan 2022 (Lusa) — O Conselho da União Europeia (UE) decidiu hoje renovar as sanções económicas à Rússia por seis meses, até final de julho, em altura de tensão na fronteira ucraniana devido à concentração de forças russas, condenada pela diplomacia comunitária.
“O Conselho decidiu hoje prolongar por seis meses as medidas restritivas atualmente destinadas a setores económicos especÃficos da Federação Russa, até 31 de julho de 2022”, informa em comunicado à imprensa a estrutura na qual estão reunidos os Estados-membros.
No dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia discutem a tensão na fronteira leste, numa reunião informal em França, o Conselho da UE informa que “a decisão [hoje adotada] segue-se à última avaliação do estado de implementação dos acordos de Minsk”.
“As sanções em vigor, introduzidas pela primeira vez em 31 de julho de 2014 em resposta à s ações da Rússia que desestabilizam a situação na Ucrânia, limitam o acesso aos mercados de capitais primários e secundários da UE a certos bancos e empresas russas e proÃbem formas de assistência financeira e corretagem em relação à s instituições financeiras russas”, explica o organismo.
De acordo com o Conselho da UE, estas sanções “proÃbem também a importação, exportação ou transferência direta ou indireta de todo o material relacionado com a defesa e estabelecem uma proibição para bens de dupla utilização para uso militar ou utilizadores finais militares na Rússia”.
“As sanções restringem ainda mais o acesso russo a certas tecnologias sensÃveis que podem ser utilizadas no setor energético russo, por exemplo, na produção e exploração de petróleo”, adianta.
Os chefes da diplomacia da UE reúnem-se também hoje com os ministros da Defesa da União.
À margem do encontro, o ministro da Defesa português congratulou-se com a “recusa absoluta” por parte de todos os Estados-membros da União Europeia da tentativa “muito clara” da Rússia de dividir o bloco europeu no contexto do conflito com a Ucrânia.
Antes, na quarta-feira e após uma reunião com responsáveis russos em Bruxelas, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Stoltenberg, afirmou existir um “sério risco de um novo conflito armado na Europa” devido à s investidas russas na Ucrânia, avisando Moscovo de “consequências severas” perante uma escalada militar.
A Ucrânia e a NATO denunciaram nos últimos meses a concentração de um grande número de tropas russas perto da fronteira ucraniana, considerando tratar-se do prelúdio de uma invasão.
Os ocidentais receiam uma possÃvel invasão russa do território ucraniano, como a de 2014 que culminou na anexação da penÃnsula da Crimeia.
O Kremlin (Presidência russa) rejeita ter uma intenção bélica nestas manobras.
A Rússia exigiu, entretanto, a assinatura de tratados que proÃbam qualquer futuro alargamento da Aliança Atlântica e o fim das manobras militares da NATO perto das suas fronteiras.
As exigências russas colocam em causa a arquitetura de segurança europeia construÃda após a Guerra Fria, quando vários paÃses do antigo bloco comunista aderiram à NATO.
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