
Bruxelas, 04 mar 2022 (Lusa) — A presidente da Comissão Europeia disse hoje que a União Europeia (UE) está “realmente preocupada” com a “catástrofe humanitária” e “a destruição” causada pela invasão russa da Ucrânia, falando numa “destruição não vista desde o século passado”.
“A dimensão da catástrofe humanitária que se está a desenrolar na Ucrânia preocupa-nos realmente. A Europa está a assistir à destruição e à deslocação a uma escala não vista desde os dias mais negros do século passado”, declarou Ursula von der Leyen.
Numa declaração à imprensa juntamente com o Secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, que hoje está em Bruxelas para participar no Conselho extraordinário em formato alargado de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, a lÃder do executivo comunitário assegurou que “a União Europeia, enquanto vizinha da Ucrânia, não se poupará a esforços”.
“Estamos a fornecer 500 milhões de euros em ajuda humanitária imediata e mais virão, estamos a trabalhar rapidamente para estabelecer centros de proteção civil na Polónia e na Eslováquia e na Roménia e estamos também a fazer tudo o que podemos com organizações internacionais e ONG para criar corredores humanitários que se estendam dentro da Ucrânia e que (…) devem poder chegar a todas as partes da Ucrânia”, elencou Ursula von der Leyen, assinalando que “os civis devem ser autorizados a escapar”
Além disso, “a UE ativou, pela primeira vez, a chamada diretiva de proteção temporária”, que permite dar “direito de residência à maioria dos refugiados”, ou seja, “de viver e trabalhar na União Europeia para ter acesso aos serviços de saúde ou, por exemplo, à s escolas durante pelo menos um ano”.
“Sabemos que este conflito está longe de ter terminado e, para ser muito clara, estamos prontos a tomar outras medidas severas se [o Presidente russo Vladimir] Putin não parar e reverter a guerra que desencadeou”, avisou Ursula von der Leyen.
Também falando à imprensa, Antony Blinken classificou a guerra da Ucrânia como “um assalto a alguns princÃpios básicos estabelecidos após as duas guerras mundiais para garantir que não aconteceria outra”.
“Esses princÃpios estão agora a ser atacados pela agressão contra a Ucrânia, cometida pelo Presidente Putin e pela Rússia, e se permitirmos que esses princÃpios sejam violados impunemente, então estaremos a abrir uma caixa de Pandora em cada canto do mundo”, adiantou o alto responsável norte-americano.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades. As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e, segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de 1,2 milhões de refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia, entre outros paÃses.
O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o paÃs vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.
O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a UE e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.
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