
Paris, 06 mar 2022 (Lusa) – O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, denunciou hoje a “propaganda russa” sobre a suposta discriminação que os estudantes africanos teriam sofrido sistematicamente ao fugir da Ucrânia e entrar no território da União Europeia (UE).
“A Rússia implantou propaganda hostil” para gerar “dúvidas” e “suspeitas” nos paÃses africanos sobre o tratamento que os europeus deram à queles estudantes que saÃram com o fluxo de refugiados da Ucrânia, disse Charles Michel, em entrevista à rádio France Inter, citada pela EFE.
Esta posição surge na sequência de histórias que circularam sobre estudantes africanos que deixaram a Ucrânia e que, alegadamente, não teriam recebido o mesmo tratamento que os refugiados ucranianos na chegada à s fronteiras dos paÃses da UE e, em particular, da Polónia.
Charles Michel assegurou que não houve vontade de discriminar aqueles estudantes “nem do lado ucraniano, nem do lado polaco”.
O presidente do Conselho Europeu disse que ele próprio esteve na fronteira entre a Ucrânia e a Polónia, que conseguiu falar com alguns daqueles estudantes e que as autoridades os ajudaram, como atesta o facto de 1.500 nigerianos terem sido repatriados para o seu paÃs, graças à Polónia.
Charles Michel lembrou que a estratégia da UE perante a invasão russa da Ucrânia é “mostrar firmeza” com “sanções inéditas” contra Moscovo, que têm como objetivo “prejudicar o regime” de Vladimir Putin, mas ao mesmo tempo manter aberto o “canal diplomático”.
O responsável europeu negou que haja uma competição entre a diplomacia dos Estados-membros da UE e a de outros paÃses que poderiam interceder junto da Rússia, como Israel ou a Turquia, cujos lÃderes mantiveram contacto com Putin nas últimas horas.
Pelo contrário, disse Michel, todos aqueles paÃses estão coordenados e sublinhou que os europeus estão com “todos aqueles que podem pressionar Moscovo” para permitir, inicialmente, a abertura de corredores humanitários e também para abrir caminho ao fim dos conflitos.
“Não temos escolha a não ser conversar com quem está no comando do Kremlin”, disse o ex-primeiro-ministro belga, que, quando questionado se o objetivo deveria ser derrubar Putin, explicou que é preciso ter cautela e que se trata, sim, de uma “mudança de comportamento”.
A este respeito, salientou que as sanções internacionais estão a produzir efeitos, e que o regime russo está a dar sinais de que está “encurralado”.
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