
Moscovo, 20 mar 2022 (Lusa) — A Rússia anunciou hoje, pelo segundo dia consecutivo, que utilizou mÃsseis hipersónicos na Ucrânia, desta vez para destruir uma reserva de combustÃvel do exército ucraniano no sul do paÃs.
“Uma grande reserva de combustÃvel foi destruÃda por mÃsseis Kalibr, disparados do Mar Cáspio, bem como mÃsseis balÃsticos hipersónicos disparados pelo sistema aeronáutico Kinjal do espaço aéreo da Crimeia”, disse o Ministério da Defesa num comunicado, citado pela agência francesa AFP.
O ministério acrescentou que o ataque ocorreu na região de Mykolayiv, mas não especificou a data.
Segundo o ministério russo, o alvo destruÃdo foi “a principal fonte de combustÃvel para os veÃculos blindados ucranianos” colocados no sul do paÃs.
As autoridades ucranianas denunciaram um ataque, na sexta-feira de manhã, com seis mÃsseis contra um quartel na região de Mykolayiv, junto ao Mar Negro, que poderá ter provocado dezenas de mortos.
O mÃssil balÃstico hipersónico Kinjal (“punhal”, em russo) e o mÃssil de cruzeiro Zircon pertencem a uma famÃlia de novas armas desenvolvidas pela Rússia.
O Presidente russo, Vladimir Putin, descreveu estas armas como invencÃveis, porque supostamente são capazes de escapar a qualquer sistema de defesa.
Moscovo já tinha anunciado, no sábado, a utilização de mÃsseis Kinjal na Ucrânia.
A confirmar-se, terá sido a primeira utilização conhecida em condições reais de combate deste sistema, que foi testado pela primeira vez em 2018.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, desencadeando uma guerra que provocou um número ainda por determinar de baixas civis e militares.
A ONU confirmou a morte de 847 civis até sexta-feira, incluindo 64 crianças, mas alertou que os números reais “são consideravelmente mais elevados”.
A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 25.º dia, também levou mais de 3,3 milhões de pessoas a fugir para os paÃses vizinhos, segundo a agência da ONU para os refugiados.
As Nações Unidas calculam que o conflito originou ainda cerca de 6,5 milhões de deslocados internos, ou seja, pessoas que abandonaram o local habitual de residência, mas que permanecem no paÃs.
Cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia, de acordo com as Nações Unidas.
A ONU considera que se trata da pior crise do género na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão da Ucrânia foi condenada pela generalidade da comunidade internacional e muitos paÃses e organizações impuseram sanções à Rússia que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.
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