
Mónaco, 21 nov 2025 (Lusa) — O Presidente da República disse hoje que vê com alegria a oposição da Europa ao plano de paz proposto pelos Estados Unidos para o conflito entre Rússia e Ucrânia, já que tal seria “à custa da rendição” deste paÃs.
“Eu verifico com alegria que a Europa, e muitos dirigentes europeus, considera que é inaceitável aquele plano. Verifico com alegria que a Alta Representante [da União] europeia considera isso, que alguns polÃticos de vários paÃses consideram isso”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa à imprensa, no final de uma visita de Estado ao Mónaco.
O chefe de Estado precisou que vê “com alegria” a oposição da Europa ao plano de paz colocado sobre a mesa por Washington porque tal seria “deitar fora” posições defendidas ao longo dos mais de três anos de conflito e “seria um precedente gravÃssimo”.
“Não podemos deixar cair a Ucrânia, não podemos deixar transformar a Ucrânia, que foi invadida, em invasor, e não podemos de repente deitar fora aquilo que são posições defendidas durante três anos perante o povo ucraniano e perante o Estado ucraniano. Ninguém compreenderia, seria um precedente gravÃssimo”, declarou.
Questionado sobre se o plano de paz norte-americano constitui uma traição, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que “não, não é traição”, focando-se antes na posição da Europa.
“O que eu acho é que, da parte da Europa e da parte dos paÃses europeus que desde sempre manifestaram a sua solidariedade, uma coisa é querer a paz, outra coisa é querer a paz à custa da rendição da Ucrânia”, concluiu.
Já hoje, também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, criticara a proposta apresentada pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra na Ucrânia por ter sido feita sem ouvir previamente as autoridades de Kiev.
Esta proposta “deveria resultar de uma audição prévia da Ucrânia, que não foi feita. Isso é um aspeto que nós, obviamente, criticamos”, disse o chefe da diplomacia portuguesa.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que se recusa a trair a nação e anunciou que vai propor alternativas ao plano dos Estados Unidos para o conflito com a Rússia, que implica cedências territoriais a Moscovo.
“Apresentarei argumentos, persuadirei e proporei alternativas”, disse o lÃder ucraniano numa declaração por vÃdeo à nação, na qual sublinhou que não trairá o seu paÃs.
Volodymyr Zelensky avisou que este “é um dos momentos mais difÃceis e de maior pressão” da história da Ucrânia, que se confronta com “escolhas muito difÃceis” face à proposta de 28 pontos do homólogo norte-americano, Donald Trump, recebida na quinta-feira por Kiev.
“Ou perde a sua dignidade ou corre o risco de perder um aliado fundamental” declarou, referindo-se aos Estados Unidos, e acrescentando: “Ou 28 pontos difÃceis ou um inverno extremamente complicado”.
O plano da Casa Branca (presidência norte-americana) corresponde à s principais exigências russas, ao prever que Kiev retire as suas tropas das áreas que ainda controla no Donbass, região no leste do paÃs que inclui as provÃncias de Lugansk e Donetsk, uma substancial redução do seu efetivo militar e a renúncia à adesão da NATO, em troca de garantias de segurança para prevenir uma nova agressão russa.
*** André Campos (texto) e Nuno Veiga (vÃdeo), enviados da agência Lusa ***
ACC (HB/PMC) // JPS
Lusa/Fim



