
Praia, 20 abr 2023 (Lusa) – O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, confirmou que está em investigação a transferência de combustÃvel russo entre navios e que foi realizada em águas da Zona Económica Exclusiva do paÃs.
A posição surge depois da divulgação, esta semana, de uma reportagem da agência Bloomberg dando conta de novas rotas e métodos utilizados por navios para entregar petróleo russo, contornado sanções internacionais devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, incluindo a transferência de combustÃvel entre navios a norte do arquipélago de Cabo Verde.
A mais recente operação de transferência de petróleo russo, de 730.000 barris, terá ocorrido em 15 de abril e demorou 35 horas a concluir, do navio “Volans” para o superpetroleiro “Scorpius”, mas o primeiro-ministro de Cabo Verde, além de referir que está em curso uma investigação, sublinhou a dificuldade de controlar uma área marÃtima maior do que o território de França, sem meios para o efeito.
“Para cobrirmos e fiscalizarmos toda essa zona exige meios que o paÃs não tem totalmente disponÃvel, mas nós temos parcerias, temos informações para podermos acionar os mecanismos quando forem necessários”, afirmou o chefe do Governo cabo-verdiano.
Com uma superfÃcie de 4.033 quilómetros quadrados (km2), o arquipélago de Cabo Verde está espalhado por uma área de aproximadamente 87 milhas (140 km) de raio, com cerca de 1.000 km de costa e uma área marÃtima de responsabilidade nacional de 734.265 km2, que inclui as águas arquipelágicas, o mar territorial, a zona contÃgua e a Zona Económica Exclusiva.
Segundo dados das Forças Armadas cabo-verdianas, o navio-patrulha “Guardião” é o mais importante da frota da Guarda Costeira de Cabo Verde e tem vindo a sofrer várias intervenções nos últimos anos, estando inoperacional há vários meses. O navio, de 51 metros de comprimento, foi construÃdo nos estaleiros navais da Damen, PaÃses Baixos, em 2011.
A frota integra ainda o NP “Vigilante”, de 52 metros e construÃdo na Alemanha em 1971, o NP “Tainha”, de 26 metros e construÃdo na China em 1998, o NP “Espadarte”, construÃdo nos Estados Unidos da América em 1993, tal como o NP “Rei”, de 2009 e com 13 metros.
A ofensiva militar lançada em 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas — 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,1 milhões para paÃses europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções polÃticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o inÃcio da guerra, 8.534 civis mortos e 14.370 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
PVJ // LFS
Lusa/Fim



