Ucrânia pede mísseis Patriot a 40 países aliados para fazer face aos ataques russos

Kiev, 02 jul 2026 (Lusa) — O ministro da Defesa ucraniano solicitou hoje a quase 40 países parceiros a transferência, durante este mês, das suas reservas de mísseis intercetores Patriot, dos quais Kiev carece face aos bombardeamentos russos.

“A proteção do espaço aéreo ucraniano, das infraestruturas críticas e da vida do nosso povo depende agora diretamente da rapidez com que os nossos parceiros agirem”, sublinhou Mykhailo Fedorov numa nota publicada nas redes sociais.

Fedorov destacou o vasto arsenal utilizado pelas Forças Armadas russas durante os ataques desta madrugada, quase 500 drones e 77 mísseis, bem como a eficácia da defesa aérea ucraniana para repelir a ofensiva.

O ataque russo à capital ucraniana, Kiev, foi um dos mais mortíferos desde o início da guerra e provocou a morte de pelo menos 25 pessoas e deixou cerca de 90 feridos, segundo o último balanço divulgado pelo responsável pela Administração Militar de Kiev, Timur Tkachenko.

O ministro da Defesa ucraniano explicou que derrubar mísseis balísticos “continua a ser um desafio crucial devido à escassez de projéteis para os sistemas Patriot” e sublinhou que as capacidades defensivas, apesar dos acordos de defesa celebrados para reforçar o arsenal do país, continuam a ser insuficientes.

“A Ucrânia precisa urgentemente de mísseis adicionais para os seus sistemas Patriot. Estes encontram-se nos armazéns dos seus parceiros”, sublinhou Fedorov.

O ministro da Defesa apontou tanto esta via como a Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia (PURL), a iniciativa da NATO para que os países europeus adquiram armamento norte-americano para o entregar à Ucrânia, como as “vias mais rápidas e fiáveis” para obter estes mísseis.

Em troca, Kiev compromete-se a devolver todo o armamento em futuros acordos comerciais.

Além disso, instou os parceiros da Ucrânia a tomarem uma decisão sobre o assunto nas vésperas da próxima cimeira da NATO, que terá lugar na próxima semana em Ancara, na Turquia, uma posição reiterada pelo Presidente, Volodymyr Zelensky.

“A questão da defesa antiaérea e antimísseis deve figurar entre os principais resultados esperados. Desde que, claro, a NATO ainda tenha alguma importância para os aliados”, afirmou Zelensky no seu discurso diário transmitido nas redes sociais.

A Ucrânia aguarda uma resposta ao pedido de licença que submeteu aos Estados Unidos para poder fabricar mísseis Patriot e reforçar a sua defesa.

O envio destes mísseis tem sido assegurado pelos aliados europeus de Kiev, que os compram a Washington, uma vez que depois do regresso do Presidente norte-americano, Donald Trump, à Casa Branca, os Estados Unidos deixaram de doar este armamento à Ucrânia.

O Ministério da Defesa russo alegou que os ataques conduzidos esta madrugada contra Kiev tinham como objetivo fábricas de mísseis e armazéns de drones situados na capital ucraniana.

O comunicado russo sobre o ataque foi muito mais detalhado do que o habitual e apresentou uma longa lista de alvos da indústria militar ucraniana supostamente atingidos, incluindo a fábrica de componentes radioeletrónicos para mísseis Radioniks, a fábrica de montagem de drones ATLON AVIA, duas fábricas de sistemas e peças para tanques e drones de espionagem e uma fábrica de montagem da empresa de aviação Antonov, que produz drones.

Além disso, Moscovo afirmou ter atingido também depósitos de combustível do Exército ucraniano e estações de bombagem de gás que abastecem empresas de defesa ucranianas.

O ataque também foi descrito como “uma resposta aos ataques terroristas do regime de Kiev contra infraestruturas civis na Rússia”, palco de ataques com drones contra refinarias e centros de comunicações nos últimos dias, de acordo com um comunicado publicado nas redes sociais.

 

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