
Genebra, 22 fev 2023 (Lusa) — O Parlamento suÃço apresentou hoje uma proposta para permitir a reexportação de armas para a Ucrânia, depois do Governo ter vetado no último ano a transferência, por paÃses terceiros, de armamento fabricado na SuÃça à nação em guerra.
O Conselho dos Estados, a câmara alta do Parlamento suÃço, apresentou hoje esta proposta, depois de uma moção semelhante ter sido apresentada no mês passado no Conselho Nacional, a câmara baixa.
A reexportação de armas pela SuÃça, que não é permitida neste paÃs sob a sua tradicional neutralidade, tem sido objeto de amplo debate no paÃs.
A câmara alta do Parlamento propõe que o fim da proibição entre em vigor dentro de cinco anos e apenas “em circunstâncias excecionais”, noticiou a agência Efe.
Em 10 de fevereiro, o Governo suÃço confirmou a rejeição do pedido espanhol para a transferência de dois canhões antiaéreos de fabrico suÃço para a Ucrânia.
A SuÃça já tinha negado pedidos semelhantes de reexportação à Dinamarca e Alemanha, que no ano passado pediram a transferência de armas suÃças para a Ucrânia para ajudá-la na resposta à invasão russa.
Em concreto, a SuÃça rejeitou dois pedidos alemães para reexportar munição suÃça para a Ucrânia para tanques de batalha Leopard e um pedido dinamarquês para fornecer cerca de 20 tanques de batalha Piranha III.
A Lei SuÃça de Material de Guerra proÃbe o comércio de armas produzidas no paÃs para paÃses envolvidos num conflito armado internacional, sendo que toda aquisição inclui uma cláusula que obriga o paÃs comprador a solicitar permissão à SuÃça em caso de tentativa de reexportar.
Apesar da sua tradicional polÃtica de neutralidade, a SuÃça está alinhada com as sanções económicas e financeiras da União Europeia contra a Rússia, razão pela qual faz parte da lista de paÃses considerados “hostis” por Moscovo, desde o inÃcio da guerra.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas — 6,5 milhões de deslocados internos e mais de oito milhões para paÃses europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Neste momento, pelo menos 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.
A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções polÃticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o inÃcio da guerra 7.199 civis mortos e 11.756 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
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