
Lisboa, 29 mai 2026 (Lusa) — A NATO reagiu hoje à queda de um drone russo na Roménia, membro da Aliança, com manifestações de solidariedade e promessas de proteção, tal como fez em situações idênticas no âmbito da guerra na Ucrânia.
A NATO está “pronta para defender cada centÃmetro quadrado do território dos Aliados”, assegurou o secretário-geral Mark Rutte, depois de ter manifestado ao Presidente romeno, Nicusor Dan, a “solidariedade absoluta” da organização.
A Aliança destaca o efeito dissuasor das mensagens, bem como de respostas graduais, um conceito que permite uma escalada de medidas proporcional à gravidade da ameaça.
A mais famosa de todas as medidas, o Artigo 5.º, prevê uma cláusula de solidariedade e estipula que um ataque armado contra um paÃs membro da Aliança seja considerado como um ataque dirigido contra todos.
Este artigo do Tratado do Atlântico Norte foi utilizado apenas uma vez, em 2001, após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.
O Artigo 5.º “sustenta todas as atividades da NATO no domÃnio da dissuasão e da defesa”, incluindo “a realização regular de exercÃcios militares e o destacamento de forças militares permanentes”, segundo a Aliança, citada pela agência francesa AFP.
A queda de um drone num edifÃcio residencial na Roménia, na noite de quinta-feira para hoje, que causou dois feridos ligeiros na cidade de Galati, perto da fronteira com a Ucrânia, deu origem a uma reação calibrada.
Num primeiro momento, a NATO manifestou muito rapidamente solidariedade para com um dos 32 paÃses membros, primeiro através da porta-voz e, depois, por Rutte.
A organização também condenou o “comportamento irresponsável” da Rússia, prometeu proteger o território da Aliança e reforçar as capacidades de defesa na fronteira oriental.
Num segundo momento, e apenas se o paÃs em causa o solicitar, os Aliados poderão reunir-se para consultas.
Para o público em geral, isso não vai muito mais longe, mas o impacto é real, segundo a própria NATO, a sigla em inglês por que é mais conhecida a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Em diplomacia, cada palavra conta e os russos distinguem muito bem cada nÃvel de reação, explica-se em Bruxelas, sede da Aliança criada em 1949, de que Portugal é um dos 12 paÃses fundadores.
Além das declarações e das condenações, o acionamento do Artigo 4.º é claramente entendido como uma etapa suplementar.
Este artigo prevê que os Aliados se consultem “sempre que, na opinião de qualquer um deles, a integridade territorial, a independência polÃtica ou a segurança de qualquer uma das partes estiver ameaçada”.
Isto é algo que os russos notam e que pôde, no passado, modificar o comportamento de Bruxelas, disseram elementos da organização.
O Artigo 4.º foi acionado nove vezes, três das quais antes da anexação da penÃnsula ucraniana da Crimeia pela Rússia, em 2014.
O ritmo acelerou de seguida, com seis acionamentos desde então, três deles depois da invasão russa da Ucrânia de fevereiro de 2022.
As consultas à porta fechada resultam frequentemente em decisões, nem sempre muito visÃveis, mas destinadas a reforçar a capacidade de dissuasão da NATO, elemento central da organização.
Uma reunião ao abrigo do Artigo 4.º, solicitada pela Polónia em setembro de 2025 após uma intrusão de drones russos, resultou na operação “Sentinela Oriental” (Eastern Sentry).
Com esta operação, a NATO dotou-se de “capacidades e meios adicionais para a postura de dissuasão”, explicou o Quartel-General das Forças da NATO na Europa (SHAPE).
O mesmo aconteceu com a operação “Sentinela Báltica” (Baltic Sentry), decidida em janeiro de 2025, após atos de sabotagem atribuÃdos à Rússia no mar Báltico.
A única diferença foi que, neste caso, o Artigo 4.º não foi acionado pelos paÃses bálticos.
O mesmo artigo foi acionado em setembro de 2025 pela Estónia, que solicitou consultas após três caças russos terem sobrevoado o paÃs.
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