
Bruxelas, 04 jan 2022 (Lusa) — O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, e o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, mantiveram hoje contacto telefónico sobre as tensões com a Rússia, pouco antes do inÃcio da viagem à Ucrânia do Alto representante europeu.
Os dois responsáveis abordaram a escalada militar da Rússia na sua fronteira com a Ucrânia, e ainda a proposta feita por Moscovo aos Estados Unidos e NATO para a celebração de um novo acordo sobre segurança na Europa, e sobre o qual Borrell exigiu que sejam considerados os interesses europeus.
Borrell e Stoltenberg concordaram prosseguir em “estreito contacto” sobre os dois temas, num encontro onde também foi abordada a reunião do Conselho NATO-Rússia convocada para 12 de janeiro, segundo referiu em comunicado uma porta-voz do Serviço Europeu de Ação Externa.
O Alto Representante para a PolÃtica Externa da União Europeia inicia hoje uma viagem à Ucrânia, que se prolonga até quinta-feira, na qual tem previsto um encontro com o chefe da diplomacia de Kiev, Dmytro Kubela, que o acompanhará numa visita ao leste do paÃs, palco do conflito com os separatistas pró-russos iniciado em 2014.
Posteriormente, viajará para Kiev, onde manterá contactos com diversos responsáveis ucranianos.
Em paralelo, a NATO anunciou hoje uma reunião virtual dos ministros dos Negócios Estrangeiros, a ter lugar sexta-feira, que segundo responsáveis da organização citados pela agência noticiosa Efe “se inclui na contÃnua coordenação entre os aliados da NATO em termos de segurança na Europa”, e constitui “uma oportunidade para abordar a próxima sequência de compromissos com a Rússia”.
A associação dos Estados Unidos à moratória unilateral russa sobre a instalação de mÃsseis de curto e médio alcance na Europa é um dos principais objetivos de Moscovo, para além da concretização de mecanismos de verificação.
A Rússia também pediu à NATO que a Ucrânia e Geórgia, paÃses situados junto à s suas fronteiras, não sejam integrados na organização militar aliada.
Moscovo exige ainda à Aliança uma substancial redução das suas manobras militares junto à s fronteiras com a Rússia, e que seja acordada uma distância mÃnima entre navios e aviões militares das duas partes, para além do reinÃcio do diálogo entre os ministérios da Defesa da Rússia, EUA e a NATO.
Neste contexto, os Presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Joe Biden e Vladimir Putin, mantiveram na passada quinta-feira o seu segundo contacto telefónico em menos de um mês, onde transpareceram as divergências entre ambos sobre a situação na fronteira russo-ucraniana.
Segundo a versão emitida pela Casa Branca, Biden exortou Putin a diminuir a tensão e reiterou a advertência de que os aliados da NATO responderão “de forma decisiva” a uma eventual invasão da Ucrânia.
A Casa Branca também revelou que os dois lÃderes reconheceram a “existência de áreas onde se podem obter progressos significativos”, apesar da existência de outros campos onde os acordos “podem ser impossÃveis”.
Segundo as informações provenientes de Moscovo, Putin advertiu Biden que um eventual novo pacote de sanções contra a Rússia devido ao conflito na Ucrânia poderá implicar a “rutura total” das relações.
Responsáveis dos dois paÃses voltam a promover na próxima segunda-feira uma reunião agendada para Genebra, na SuÃça.
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