
Bruxelas, 21 mar 2022 (Lusa) — O presidente do Eurogrupo, Paschal Donohoe, admitiu hoje “impactos elevados” da guerra da Ucrânia provocada pela invasão russa para a zona euro, indicando que os ministros das Finanças estão a “estudar formas de proteger os grupos vulneráveis”.
“Tanto nas avaliações das instituições como nas nossas discussões no Eurogrupo, é evidente que esta crise está a prejudicar a dinâmica do crescimento e a exacerbar as pressões inflacionistas”, admite Paschal Donohoe, numa carta hoje enviada ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.
Na missiva, que antecede a cimeira do euro da próxima sexta-feira, no segundo dia do Conselho Europeu em Bruxelas, o lÃder do Eurogrupo elenca que “estes impactos negativos passam por vários canais: o fornecimento de energia e os preços da energia são um fator chave, mas os efeitos de confiança, os fluxos financeiros e as ruturas de abastecimento estão entre os muitos outros fatores também em jogo”.
“Haverá também impactos relacionados com a deslocação do povo ucraniano em busca de segurança na União Europeia [UE] e o custo destes impactos deverá ser elevado, pelo que os ministros das Finanças estão a estudar formas de proteger os grupos vulneráveis”, afirma Paschal Donohoe.
Em altura de aceso confronto armado na Ucrânia devido à ofensiva russa, o presidente do Eurogrupo aponta que, antes da guerra, “a economia da zona euro tinha registado uma forte recuperação”.
“Estima-se que a produção e os rendimentos tenham voltado aos nÃveis anteriores à crise no final de 2021 e o mercado de trabalho registou um nÃvel recorde de desemprego de 6,8% em janeiro, métricas que mostram como as nossas polÃticas económicas estão a funcionar e que tanto a polÃtica orçamental como a monetária proporcionaram nÃveis excecionais de apoio rápido e considerável, sustentadas por coordenação e consenso”, defende.
Paschal Donohoe adianta que, por isso, “é também evidente que a economia da zona euro é resistente, o que ficou demonstrado durante a crise covid-19”.
“Temos de assegurar aos nossos cidadãos que a nossa resposta polÃtica continuará a ser forte e unida e que a recuperação económica é sustentada por sólidos fundamentos e por uma clara melhoria da situação epidemiológica no futuro”, conclui.
Numa tomada de posição divulgada há uma semana, os ministros das Finanças da zona euro admitiram o “momento crÃtico” na economia da moeda única causado pela guerra da Ucrânia devido à invasão russa, apoiando mais sanções e ajustes à “postura polÃtica” face ao impacto económico.
“Depois de dois anos sob o domÃnio da pandemia de covid-19, a UE vê-se confrontada com um momento crÃtico causado pela agressão militar russa não provocada e injustificada contra a Ucrânia”, disseram.
Por isso, “o Eurogrupo apoia plenamente todas as ações e sanções que estão a ser adotadas pela UE e pelos seus aliados contra o agressor e reconhece também que podem ser necessárias medidas económicas adicionais para apoiar a Ucrânia e para proteger os nossos valores fundamentais”, vincaram os ministros da tutela na altura.
O Eurogrupo admitiu ainda que “a incerteza aumentou significativamente” devido à s tensões geopolÃticas.
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