
Bruxelas, 09 mar 2022 (Lusa) — O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, instou hoje a Rússia a respeitar a segurança de infraestruturas nucleares na Ucrânia, indicando acompanhar a “situação muito preocupante” relativa à central de Chernobyl, desligada da rede elétrica.
“Falei com Rafael Grossi [diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica] sobre a situação muito preocupante relativa à central de Chernobyl”, escreveu Josep Borrell na rede social Twitter.
Reagindo na plataforma após as autoridades ucranianas terem informado a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) de um corte da rede elétrica em Chernobyl, em pleno conflito armado no território ucraniano devido à invasão russa, o chefe da diplomacia da UE instou a Rússia a “preservar a segurança das infraestruturas nucleares na Ucrânia”.
“Estamos a prestar apoio total à AIEA e aos seus esforços para encontrar um acordo sobre soluções práticas nestas circunstâncias dramáticas”, adiantou Josep Borrell.
A central de Chernobyl, que foi cenário do maior acidente nuclear da história, em 1986, “foi completamente desligada da rede elétrica devido à s ações militares” russas, segundo as autoridades ucranianas.
Contudo, de acordo com a AIEA, o corte de energia na central nuclear de Chernobyl não teve impacto na sua segurança.
Considerando o tempo decorrido desde o acidente em Chernobyl, a AIEA sublinhou que “a carga térmica da piscina e o volume de água de refrigeração são suficientes para garantir uma remoção eficiente do calor sem eletricidade”.
A central nuclear de Chernobyl, localizada numa zona de exclusão, inclui reatores desativados e instalações de resÃduos radioativos.
Atualmente, 20.000 conjuntos de resÃduos radioativos estão a ser mantidos na piscina de armazenamento do local.
A AIEA já tinha indicado que “a transmissão remota de dados dos sistemas de controlo” instalados no local “tinha sido cortada”.
A AEIA referia-se à s câmaras de vigilância e a outros equipamentos colocados no local no âmbito do seu programa de monitorização da natureza pacÃfica dos programas nucleares a nÃvel mundial.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, a central possui “geradores de emergência com capacidade para 48 horas”.
“Depois disso, os sistemas de refrigeração do combustÃvel [resÃduos radioativos] armazenado serão desligados”, escreveu o ministro ucraniano no Twitter.
Mais de 200 técnicos e guardas estão retidos na central nuclear de Chernobyl, estando a trabalhar há 13 dias consecutivos sob vigilância russa.
A AIEA pediu à Rússia que permita a rotatividade dos funcionários, argumentando que o descanso e os horários fixos são essenciais para a segurança do local.
“Estou profundamente preocupado com a situação difÃcil e de ‘stress’ em que se encontram os funcionários da central nuclear de Chernobyl e os riscos potenciais que isso acarreta para a segurança nuclear”, alertou o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de mais de 2,1 milhões de pessoas para os paÃses vizinhos — o êxodo mais rápido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, de acordo com os mais recentes dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, e muitos paÃses e organizações impuseram sanções à Rússia que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.
A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 14.º dia, provocou um número ainda por determinar de mortos e feridos, que poderá ser da ordem dos milhares, segundo várias fontes.
Embora admitindo que “os números reais são consideravelmente mais elevados”, a ONU confirmou hoje a morte de pelo menos 516 civis até terça-feira, incluindo 41 crianças.
ANE (CSR) // SCA
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