
Moscovo, 17 fev 2022 (Lusa) — O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, aliado de Moscovo, disse hoje que o seu paÃs está disponÃvel para receber “armas nucleares” caso haja uma ameaça do Ocidente no âmbito da crise na Ucrânia.
“Se for necessário (…) vamos colocar não apenas armas nucleares, mas também armas super nucleares para defender o nosso território”, afirmou Lukashenko, citado pela imprensa bielorrussa.
A medida poderá ser acionada se forem tomadas “medidas idiotas” por “rivais e adversários” da Bielorrússia, aliada da Rússia na crise com o Ocidente devido à Ucrânia, disse Lukashenko.
“Se não houver ameaças de paÃses hostis à Bielorrússia, não haverá necessidade de ter armas nucleares aqui durante os próximos 100 anos”, acrescentou.
Após a dissolução da União Soviética, em 1991, a Bielorrússia, como outras ex-repúblicas soviéticas, renunciou a ter armas nucleares no seu território por pressão norte-americana e concordou em devolvê-las à Rússia.
A Constituição da Bielorrússia de então previa que o paÃs permanecesse uma “zona livre de armas nucleares”, mas este artigo foi substituÃdo na nova versão da lei fundamental proposta por Lukashenko e sobre a qual os bielorrussos irão votar num referendo agendado para 27 de fevereiro.
O novo artigo mantém a ausência de armas nucleares do paÃs “excluindo em caso de agressão militar ao território” da Bielorrússia.
Os Estados Unidos ficaram alarmados com essa alteração da Constituição, que pode permitir a instalação de armas nucleares russas na Bielorrússia, paÃs que faz fronteira com a Ucrânia e com a Polónia.
A Rússia mobilizou milhares de soldados para junto da fronteira ucraniana desde o final de 2021, aumentando os receios de uma potencial invasão e provocando a pior crise com os ocidentais desde a Guerra Fria.
Extensas manobras militares russo-bielorrussas também estão em curso na Bielorrússia.
Alexander Lukashenko é esperado na Rússia na sexta-feira para conversar com o seu homólogo e aliado, Vladimir Putin.
Lukashenko adiantou hoje que, nessa reunião, os dois chefes de Estado irão decidir se vão retirar os soldados russos que estão em exercÃcios militares na Bielorrússia, incluindo na fronteira com a Ucrânia.
“O que decidirmos amanhã [sexta-feira], acontecerá”, afirmou Lukashenko durante uma inspeção à s manobras “Allied Determination-2022” (Determinação Aliada), no campo de treino de Osipovichi, ao sul de Minsk, segundo a agência oficial bielorrussa Belta.
Os dois paÃses estão a realizar estes exercÃcios militares desde o dia 10 e o plano é continuar até domingo.
O Presidente bielorrusso garantiu que “assim que a decisão for tomada, os militares se retirarão num perÃodo de 24 horas”.
“Se tomarmos a decisão de que [a retirada só será feita daqui] a um mês, eles [os soldados] estarão lá durante um mês. As Forças Armadas estarão lá o tempo que for necessário. Esta é a nossa terra, o nosso território”, afirmou.
Alexander Lukashenko adiantou ainda que não há necessidade de criar bases militares russas na Bielorrússia, mas que vai pedir à Rússia que crie um centro de treino para o desenvolvimento de mÃsseis russos Iskander de curto alcance.
Tanto Moscovo como Minsk garantiram que as tropas seriam retiradas para os seus quartéis de origem assim que os exercÃcios terminassem.
Uma vez que os exercÃcios conjuntos com a Rússia estejam concluÃdos, no domingo, “nenhum soldado ou equipamento militar” permanecerá em território bielorrusso”, afirmou, na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia, Vladimir Makei.
Na sua opinião, os dois paÃses estão a realizar os exercÃcios conjuntos porque a NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte) reforçou a sua presença perto das fronteiras dos dois paÃses, e lembrou a chegada recente de reforços à s vizinhas Polónia e Lituânia.
Por outro lado, defendeu ainda Lukashenko, as manobras militares em curso não violam nenhum acordo ou documento internacional.
Moscovo e Minsk recusaram dar explicações aos paÃses-membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que assinaram o chamado Documento de Viena, que visa promover a transparência na movimentação de militares, alegando que os exercÃcios não têm alcance suficiente para ser necessário fazer uma notificação.
Segundo o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, cerca de 30.000 soldados, caças, mÃsseis Iskander e sistemas de defesa aérea S-400 estão a ser usados nos exercÃcios, que classificou como “o maior” destacamento militar na Bielorrússia desde a Guerra Fria.
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