
Lisboa, 23 set 2024 (Lusa) — Turquia e Egito apelaram hoje à intervenção do Conselho de Segurança das Nações Unidas para travar a “perigosa escalada”, enquanto o Iraque quer reunir os paÃses árabes para debater os ataques de Israel ao LÃbano.
“O Egito exprime a sua solidariedade sincera com o LÃbano e o seu povo irmão, transmite as suas sinceras condolências à s famÃlias das vÃtimas e deseja uma rápida recuperação aos feridos, e reitera a sua total rejeição de qualquer violação da soberania do LÃbano e do seu território”, afirmou em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros egÃpcio.
O ministério recordou que já tinha alertado para os “perigos da agressão contÃnua de Israel” contra a Faixa de Gaza – onde 41.450 palestinianos foram mortos desde o inÃcio da ofensiva israelita, há quase um ano -, que também ameaça “mergulhar a região numa guerra regional em grande escala”.
As autoridades egÃpcias apelaram a “uma solução pacÃfica para a crise”, à aplicação da Resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, bem como a esforços diplomáticos para pôr termo à escalada, que ameaça “o horizonte da paz”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros egÃpcio alertou para o facto de esta situação poder conduzir a uma “guerra regional global”.
Também a Turquia acusou Israel de ter “entrado numa nova fase” com os seus ataques militares no LÃbano, que “conduzirão toda a região ao caos”.
“Os ataques de Israel no LÃbano marcam uma nova fase na sua tentativa de levar o caos a toda a região”, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco em comunicado.
A diplomacia turca considerou “imperativo que todas as instituições responsáveis pela manutenção da paz e da segurança internacionais, nomeadamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas, bem como a comunidade internacional, tomem sem demora as medidas necessárias”.
“Os paÃses que apoiam incondicionalmente Israel estão a ajudar [o primeiro-ministro israelita, Benjamin] Netanyahu a derramar sangue para servir os seus interesses polÃticos”, acrescentou o ministério turco.
Por outro lado, o Iraque anunciou que pretende organizar uma “reunião urgente” das delegações árabes presentes em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral anual das Nações Unidas.
“O Iraque está a convocar e a trabalhar para uma reunião urgente para discutir as repercussões da agressão sionista ao (…) LÃbano e trabalhar em conjunto para pôr fim ao seu comportamento criminoso”, segundo uma declaração do primeiro-ministro iraquiano, Mohamed Shia al-Soudani, que se encontra atualmente nos Estados Unidos.
Bagdade anunciou ainda que vai enviar combustÃvel para o LÃbano para alimentar as centrais elétricas dos hospitais e os serviços públicos.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro, o Iraque, rico em petróleo, vai estabelecer “uma ponte aérea e terrestre” para aliviar o sofrimento dos seus “irmãos no LÃbano”, um paÃs que enfrenta uma grave crise energética e onde o fornecimento de eletricidade é escasso, exceto através de geradores domésticos a gasóleo privados.
Al-Soudani também abriu “as portas” para receber no seu paÃs os feridos causados pelos “ataques da entidade usurpadora [Israel]”.
O primeiro-ministro referiu que as medidas tomadas pelo Iraque respondem a um pedido do lÃder religioso xiita, o Grande Ayatollah Ali al-Sistani, que hoje de manhã apelou a todos os paÃses islâmicos para que ajudem a aliviar o sofrimento no LÃbano e façam “todos os esforços possÃveis” para pôr termo à agressão israelita.
No passado fim de semana, o Iraque enviou vários carregamentos de ajuda médica para os hospitais de Beirute, sobrecarregados pelos milhares de feridos provocados, no dia 17, pela explosão simultânea e maciça de milhares de ‘pagers’ utilizados pelos militantes do Hezbollah, a milÃcia xiita libanesa e partido polÃtico aliado do Irão e inimigo do Estado de Israel.
O Ministério da Saúde libanês anunciou que 356 pessoas, incluindo 24 crianças, foram mortas e mais de 1.240 ficaram feridas nos ataques israelitas no sul e no leste do LÃbano, hoje, enquanto o Exército israelita disse ter atingido 1.300 alvos do grupo xiita Hezbollah no LÃbano, marcando uma escalada substancial nos confrontos entre as partes no último ano.
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