
Washington, 09 mai 2023 (Lusa) — O Fundo Monetário Internacional (FMI) justificou hoje a revisão em alta do crescimento da economia portuguesa este ano, de 1% para 2,6%, com o desempenho acima do previsto no primeiro trimestre, que terá sido “largamente motivado pelo turismo”.
“Fomos surpreendidos pelo resultado no primeiro trimestre, em que o crescimento [de 2,5% em termos homólogos e 1,6% em cadeia] foi muito mais forte do que tÃnhamos antecipado”, afirmou a chefe de Missão do FMI para Portugal, Rupa Duttagupta, durante uma conferência de imprensa virtual para declaração final da equipa de Portugal sobre a consulta ao abrigo do Artigo IV.
No passado dia 11 de abril, na atualização das previsões económicas mundiais, o FMI tinha apontado para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português de 1% este ano, mas, no relatório da missão ao abrigo do Artigo IV, hoje divulgado, reviu em alta este valor para 2,6%, prevendo uma estabilização em torno dos 2% no médio prazo.
Por sua vez, o Governo prevê um crescimento de 1,8% em 2023.
Embora ressalvando que falta ainda conhecer o contributo das várias componentes da procura agregada, a responsável do FMI disse que “a perceção da Missão é que [o desempenho no primeiro trimestre] foi largamente motivado pelo crescimento do turismo, cuja retoma foi, definitivamente, mais forte do que o previsto” pela instituição.
“Neste contexto, mesmo que a economia não crescesse mais no resto do ano, mesmo assim, o crescimento em 2023 seria acima de 2%, só por causa deste aspeto”, salientou.
Rupa Duttagupta reiterou que, de resto, o FMI mantém a previsão anterior de “um abrandamento gradual do crescimento” da economia portuguesa no segundo e terceiro trimestres de 2023, “antes de haver uma nova aceleração, na segunda metade do ano”.
“Esta narrativa não mudou e reflete o impacto da inflação elevada e da subida das taxas de juro na procura interna, mas também a deterioração do ambiente externo, sobretudo do crescimento da zona euro”, disse.
Numa economia “pequena e aberta” como a portuguesa, o FMI destaca ainda a importância de “a quota de crescimento induzido pelo setor privado e pelo investimento privado ser mais forte, para que o crescimento económico a médio prazo seja mais elevado e haja uma convergência para os nÃveis de rendimento médios da zona euro”.
Relativamente à polÃtica orçamental, o FMI reiterou a necessidade de o paÃs prosseguir o caminho da consolidação, defendendo que Portugal aproveite a atual fase de crescimento para aumentar a margem orçamental e ficar mais bem preparado para enfrentar eventuais choques futuros.
Neste contexto, e a par da introdução de melhorias na “eficiência” da despesa, o aumento dos impostos, nomeadamente sobre o património imobiliário, é um dos caminhos apontados.
Conforme explicou Ripa Duttagupta, uma subida dos impostos sobre o património seria útil sobretudo por via do aumento da receita fiscal, mas também pelo alÃvio que poderia representar face à s atuais pressões sobre os preços das casas, já que poderia “reduzir a procura de propriedades, sobretudo em alguns setores”.
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