
Maputo, 21 abr 2026 (Lusa) – O turismo contribuiu com menos de 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique em 2025, com o Governo a admitir a necessidade de melhorias no setor para atingir as metas previstas até 2029.
De acordo com dados provisórios da execução orçamental do Ministério das Finanças, o indicador referente à contribuição do turismo no PIB teve uma execução de 0,92% em 2025, “uma realização de 21% em relação a meta fixada para o ano”, que era de 4,42%.
“O que indica uma retração relativa a contribuição do turismo na economia”, admite-se.
Em 2024, segundo o mesmo documento, esse peso foi de 4,02% do PIB e até 2029 a meta definida pelo Governo é de 6%, pelo que “o setor precisa de envidar esforços no sentido de atingir uma taxa de crescimento médio anual superior a 1,25 pontos percentuais nos próximos anos”.
No mesmo sentido, o indicador da taxa de crescimento de alojamento, restaurantes e similares registou uma retração de 0,06% em 2025, “distanciando-se significativamente dos 8,24% [de crescimento] projetados para o período em análise”.
“Este desempenho alerta sobre a viabilidade das metas de longo prazo. Para alcançar a meta de 11,20% em 2029, o setor deverá implementar reformas estruturais profundas e adotar estratégias fortes de recuperação que revertam a tendência atual”, refere-se.
O fluxo de turistas em Moçambique aumentou para 1,27 milhões de turistas em 2025, mais quase 15% num ano.
De acordo com informação prestada pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, Moçambique registou um fluxo de 1,09 milhões de turistas em 2024, um “indicador que reflete a retoma consistente e a crescente robustez do setor”.
Este crescimento registou-se num ano ainda fortemente marcado, de janeiro a março, pelos protestos pós-eleitorais, que desde outubro de 2024 provocaram mais de 400 mortos e destruição de empresas e infraestruturas públicas.
O número de turistas estrangeiros nos hotéis em Moçambique mais do que triplicou em cinco anos, para quase 760 mil em 2024. De acordo com o anuário estatístico do INE relativo a 2024, os hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros do país passaram de 216.297 em 2020 para 757.458 em 2024, período que abrange as alterações legais que isentaram de vistos turistas de 29 países.
Já o número de hóspedes moçambicanos nos hotéis do país recuou 18%, de 1.336.088, em 2020, para 1.097.864, em 2024.
O Governo moçambicano lançou em fevereiro um novo portal para registo de vistos de turismo ‘online’, após ter suspendido o pré-registo obrigatório em maio de 2025 por problemas técnicos no sistema.
“Através desta plataforma, todos aqueles que pretendem visitar Moçambique podem agora fazê-lo, aplicando [o pedido prévio] para ter autorização para viajar para Moçambique, obtendo o visto ‘online'”, anunciou na altura o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga.
“Queremos, através deste meio, dar o primeiro passo para permitir que Moçambique seja de facto um destino turístico, atrativo, visitado por todos, e simplificar o processo de obtenção dessa autorização”, acrescentou o ministro.
O Serviço Nacional de Migração (Senami) suspendeu, em 19 de maio, a obrigatoriedade de comunicação de entrada em Moçambique aos turistas de 29 países isentos de visto com 48 horas de antecedência.
A medida, inicialmente anunciada um mês antes, gerou preocupação imediata nos agentes de viagens, dada a ausência desta imposição desde o início da isenção de vistos para turistas destes países, incluindo Portugal, em maio de 2023.
Moçambique introduziu em dezembro de 2022 o Visto Eletrónico (e-Visa) e, em maio seguinte, a isenção de vistos para cidadãos de 29 países, simplificando ainda a concessão de vistos de investimentos para períodos mais alargados a estrangeiros.
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