
Washington, 19 jul 2020 (Lusa) — O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, recusou hoje a comprometer-se publicamente em aceitar os resultados das eleições à Casa Branca, em caso de derrota, e descartou as sondagens que dão vantagem ao candidato democrata, Joe Biden.
“Tenho de ver… Tenho de ver. Não vou dizer apenas que sim. Não vou dizer que não e também não o fiz da última vez”, afirmou Trump durante uma longa entrevista ao canal Fox News, enquanto a campanha de Biden respondeu que “o povo norte-americano vai decidir esta eleição e o governo dos EUA é perfeitamente capaz de escoltar invasores para fora da Casa Branca”.
Trump criticou ainda os dirigentes do Pentágono por estarem a favor de renomear bases militares que honram lÃderes militares da confederação — um impulso à mudança empurrado pelo debate nacional sobre o racismo depois da morte de George Floyd -, com o Presidente a afirmar que não quer “saber do que o os militares dizem”.
O Presidente continuou a toada crÃtica ao descrever o diretor do instituto de doenças infecciosas no paÃs, Anthony Fauci, como “um pouco alarmista” acerca da pandemia da covid-19, e manteve o que havia dito em fevereiro, de que “o vÃrus vai desaparecer”.
“Eu estarei certo no final”, disse, numa altura em que os Estados Unidos são o paÃs mais afetado pela doença em todo o mundo, com mais de 140 mil mortes e 3,7 milhões de infeções confirmadas.
A popularidade do Presidente tem vindo a diminuir devido à maneira como tem lidado com o coronavÃrus e no rescaldo dos protestos nacionais e globais centrados na justiça racial que irromperam depois da morte de George Floyd à s mãos da polÃcia em Minneapolis, no Estado do Minnesota, há dois meses.
Trump afirmou que uma série de sondagens que mostravam a deterioração da sua popularidade e uma vantagem de Biden na corrida à Casa Branca eram defeituosas, acreditando que os eleitores republicanos estão sub-representados nessas pesquisas.
“Antes de mais, não estou a perder, porque essas sondagens são falsas. Eram falsas em 2016 e agora são ainda mais. As sondagens eram bem piores em 2016”, prosseguiu na entrevista à Fox News transmitida este domingo.
Durante a entrevista, Trump estava particularmente combativo com o moderador da Fox News Chris Wallace na defesa à resposta da Administração à pandemia, falando sobre o movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”) e tentando retratar Biden como desprovido de capacidade mental para servir como presidente.
Entre os tópicos discutidos estava a pressão para mudanças generalizadas que varreram a nação, com o Presidente a dizer que entende o porquê de os afro-americanos estarem chateados sobre o uso desproporcional de força que a polÃcia exerce contra eles.
“Claro que sim, claro que percebo”, afirmou, acrescentado a expressão habitual de que “os brancos também são mortos”.
Além disso, disse ainda que não estava “ofendido pelo movimento Black Lives Matter”, mas ao mesmo tempo defendeu a bandeira da confederação, um sÃmbolo de racismo no passado, e descreveu que “orgulhosamente têm as bandeiras da confederação não estão a falar sobre racismo”.
“Eles amam as bandeiras, elas representam o Sul e eles gostam do Sul. Isso é liberdade de expressão. E toda aquela coisa da ‘cultura de cancelamento’, não podemos cancelar a nossa história. Não podemos esquecer que o norte e o sul lutaram entre si. Temos de nos lembrar disso, senão vamos acabar por lutar novamente. Não podemos cancelar tudo”, apontou.
Trump defendeu também a sua promessa de vetar uma lei da Defesa de 740 mil milhões de dólares (650 mil milhões de euros) por causa do requerimento para que o Departamento da Defesa mude os nomes de bases que tenham nomes de lÃderes militares da confederação. Essa lista inclui o Forte Bragg, na Carolina do Norte, Forte Hood, no Texas, e o Forte Benning, na Georgia.
O Presidente argumentou que não havia alternativas viáveis, mesmo que o governo tentasse.
“Vamos dar o nome do reverendo Al Sharpton? Como é que o vamos chamar”, questionou Trump, referindo-se ao proeminente lÃder dos direitos civis.
Sobre o coronavÃrus, Trump repreendeu novamente Fauci, e repetiu as falsas alegações de que toda a gente tem acesso a testes e que o aumento dessa testagem é a única razão pela qual os EUA têm um aumento de casos.
Os casos têm aumentado porque as pessoas se têm contaminado mais umas à s outras agora do que quando estavam em confinamento. A percentagem de resultados positivos nesses testes está em crescimento em quase todo o paÃs.
AXYG // HB
Lusa/Fim



