
Washington, 25 set 2025 (Lusa) – Donald Trump fez hoje subir abruptamente a sua aposta numa luta orçamental contra a oposição democrata, ameaçando despedir em massa funcionários públicos se o Congresso não votar uma lei de finanças dentro de cinco dias.
 “Tudo isto é culpa dos democratas. Eles pediram-nos para fazer coisas que não são razoáveis”, afirmou o presidente dos Estados Unidos da América durante um encontro na Casa Branca com o seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan.
 O chefe de Estado americano acusou a oposição de querer financiar cuidados médicos para imigrantes em situação irregular com dinheiro federal.
Os riscos deste combate polÃtico e financeiro são altos para os dois lados. Dentro de pouco mais de um ano, vai haver as eleições intercalares no paÃs nas quais a maioria no Congresso, atualmente republicana, será disputada.
O prazo para aprovar o orçamento é 30 de setembro, mesmo que de modo temporário, para evitar um “shutdown”, uma paralisia do Estado federal.
O republicano Russell Vought, diretor do gabinete do orçamento (OMB) na Casa Branca, pediu à s agências federais que elaborassem planos de redução de funcionários efetivos que trabalham em programas que não têm financiamento atual, nem fonte de financiamento externa, e que não estão “de acordo com as prioridades do presidente” Trump, segundo uma carta à qual a agência de notÃcias francesa AFP teve acesso.
 Donald Trump recusa qualquer encontro com os lÃderes da minoria democrata no Congresso, enquanto não se alinharem com os seus argumentos. O memorando do OMB indica que qualquer redução feita após o prazo de financiamento seria permanente.
O lÃder dos democratas na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, qualificou Russell Vought de “politicardo malfeitor”. “Não nos deixaremos intimidar”, escreveu no X, concluindo: “Vai-te lixar” dirigindo-se ao diretor do Orçamento.
 Em caso de “shutdown”, uma grande parte dos serviços federais seria suspensa, com centenas de milhares de funcionários em lay-off, um tráfego aéreo desorganizado, mas também fortes perturbações nos pagamentos de várias ajudas sociais.
Os republicanos têm uma curta maioria nas duas câmaras do Congresso, Câmara dos Representantes e Senado, mas devido ao regulamento parlamentar, o partido republicano terá de negociar com os democratas para obter os votos de pelo menos sete senadores.        Â
Os democratas exigem, entre outras coisas, que os republicanos restabeleçam centenas de milhares de milhões de dólares em despesas de saúde.
Os conservadores, por sua vez, sustentam que o seu plano de despesas para sete semanas, financiando o governo até ao final de novembro, é o único em discussão.
Se o Congresso aprovar um projeto de lei orçamental antes do prazo, “as etapas adicionais descritas neste e-mail não serão necessárias”, indica o memorando do OMB.
Os democratas, que até agora não conseguiram articular uma resposta realmente impactante contra as decisões drásticas de Donald Trump estão a ser maltratadas nas sondagens. E veem neste braço de ferro uma oportunidade de apresentar o presidente bilionário como um amigo dos ricos, decidido a cortar nas prestações sociais.
Os republicanos apostam numa mensagem de segurança e soberania, prometendo reduções de impostos, num momento em que o mercado de trabalho se degrada.
 Os americanos expressam nas sondagens de opinião um ceticismo acentuado, e até mesmo uma hostilidade aberta à polÃtica protecionista de Donald Trump.
ATR // RBF
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