Trump desvaloriza deslocação “quase de rotina” de chefe da CIA a Moscovo

Washington, 26 ago 2026 (Lusa) — O Presidente dos Estados Unidos desvalorizou hoje a invulgar deslocação do diretor da CIA a Moscovo, afirmando ter-se tratado de “uma visita quase de rotina”, e reiterou o desejo de que a guerra na Ucrânia termine.

“Detesto desapontar as pessoas, mas foi, de certa forma, uma visita de rotina parcial”, declarou Donald Trump durante uma entrevista com o comentador conservador Glenn Beck, referindo-se à surpresa e polémica suscitadas pelo anúncio da deslocação da véspera à capital russa do chefe dos serviços de informações norte-americanos, John Ratcliffe.

Donald Trump assegurou que a deslocação do chefe da CIA a Moscovo — a primeira de um chefe dos serviços secretos norte-americanos à Rússia desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022 — não estava relacionada nem com o Irão, nem com as ameaças russas contra a NATO: “Ele não estava lá por nenhuma dessas razões que mencionou”, respondeu, quando questionado sobre a razão para a viagem de Ratcliffe.

“Gostaríamos que a guerra na Ucrânia acabasse. É uma guerra que nunca teria começado se eu fosse Presidente”, disse, mais uma vez, o líder norte-americano.

Até agora, as tentativas de Donald Trump para pôr fim ao conflito, incluindo a organização, há pouco mais de um ano, de uma cimeira no Alasca com o seu homólogo Vladimir Putin, têm sido em vão, encontrando-se estagnadas as conversações de paz entre Moscovo e Kiev, impulsionadas pelos Estados Unidos.

Por seu lado, o Kremlin confirmou a visita a Moscovo do diretor da CIA, com o porta-voz da Presidência, Dmitri Peskov, a limitar-se a apontar que o objetivo da deslocação estava relacionado com um “intercâmbio entre serviços secretos” e a assegurar que Ratcliffe não iria reunir-se com o Presidente Putin.

Por outro lado, um alto responsável ucraniano disse à agência Associated Press que Washington informou Kiev de que uma delegação se deslocaria à capital russa e solicitou que os ataques fossem suspensos até à partida da mesma.

O responsável, que falava sob condição de anonimato por não estar autorizado a fazer declarações púbicas, especificou que o pedido não se aplicava a todo o território russo, mas especificamente a Moscovo, São Petersburgo e algumas regiões do norte, tendo os ataques ucranianos continuado noutras partes do território russo.

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