
Porto, 19 out 2026 (Lusa) – Um total de 35 pessoas votou hoje, em assembleia popular, permanecer acampado na Praça D. João I, no Porto, onde há uma semana decorre um protesto pela habitação.
O grupo, que tem dezenas de tendas montadas desde sábado na praça, votou de mão no ar para contar quantas pessoas pretendem manter-se acampadas, contando 35 pessoas.
Antes, foram aprovados votos de solidariedade com a acampada em Lisboa e outros pontos do país, bem como pela articulação com associações de estudantes universitários na luta por habitação e quanto às propinas, estas por unanimidade.
Foi ainda aprovado por maioria, das cerca de 300 pessoas presentes, um voto de articulação para uma greve geral ibérica.
Na noite de domingo para segunda-feira, o movimento pela habitação foi avisado, como em Lisboa, de que a permanência e o acampamento eram ilegais, e que continuarem fá-los-ia incorrer em desobediência civil.
Muitos mantiveram-se no local, de onde a polícia se retirou, prosseguindo ao longo do dia com atividades.
A assembleia foi precedida de “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, como em outros dias, e decorreu sob novo formato, com vários pontos de votação.
Já hoje, a PSP prometeu “esgotar ao máximo a via do diálogo” com os promotores dos protestos em Lisboa e Porto, mas avisou que vai haver uma intervenção policial caso as tendas não sejam desmontadas.
“Há um limite. Se não for possível pela via do diálogo e negociação, terá de haver uma intervenção da PSP”, disse à Lusa o porta-voz da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, avançando que os manifestantes em Lisboa e no Porto estão a cometer uma “série de irregularidades”.
Segundo a PSP, em causa está um “acampamento ilegal”, uma vez que os manifestantes não têm qualquer licença das autarquias para montarem as tendas no Rossio e na Praça D. Joao I, bem como o facto de a lei não permitir manifestações e ocupação do espaço público depois da meia-noite e desrespeito pela lei do ruído.
O porta-voz da PSP frisou que a polícia está “a todo o custo” a tentar fazer perceber aos manifestantes que se podem manifestar, mas “há irregularidades que têm que cessar”.
“As tendas não se podem manter ‘ad aeternum'”, disse, avançando que a PSP vai “esgotar a via da mediação”, mas vai haver um momento em que, se não conseguirem por via do diálogo, a polícia terá de intervir.
O porta-voz da PSP desconhece quando será feita essa intervenção que, segundo o responsável, será “proporcional e adequada”, referindo que está a ser feita uma permanente “avaliação do risco”.
No Porto, dezenas de tendas estão montadas há vários dias na Praça D. João I no âmbito do protesto pelo direito à habitação que começou no dia 10, tendo ocorrido na madrugada de quinta-feira uma carga policial.
Também em Lisboa dezenas de tendas estão desde sábado no Rossio.
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