
Kigali, 13 mar 2024 (Lusa) – Um tribunal ruandês rejeitou hoje o pedido de restituição dos direitos civis de Victoire Ingabire, opositora do Presidente, Paul Kagame, uma decisão que a vai impedir de concorrer à s eleições presidenciais de 15 de julho.
A lÃder da oposição, de 55 anos, que não pode recorrer desta decisão durante dois anos, foi privada dos seus direitos depois de ter sido condenada em 2013 a 15 anos de prisão, por ter “minimizado o genocÃdio de 1994”, que fez 800 mil mortos entre abril e julho de 1994, sobretudo entre a minoria tutsi.
“Não concordo com esta decisão, é claramente politizada e mostra que continuamos a ter um paÃs onde os tribunais ainda não são independentes”, disse Victoire Ingabire em declarações à agência de notÃcias France-Presse (AFP), no tribunal da capital, Kigali, onde assistiu ao anúncio da sentença.
Desde o regresso ao paÃs, em janeiro de 2010, após 16 anos na Holanda, a economista de origem hutu passou grande parte do tempo na prisão.
Ingabire tinha sido detida e acusada de negar a realidade do genocÃdio, depois de ter apelado, a 16 de janeiro de 2010, durante uma visita ao memorial do genocÃdio em Kigali, para que os autores dos crimes contra os hutus fossem também julgados.
Foi libertada em setembro de 2018, no âmbito de um indulto presidencial concedido a mais de 2.000 prisioneiros.
“Durante o perdão presidencial concedido a Ingabire, foram estabelecidas certas condições que ela deve respeitar”, disse o tribunal na sua decisão, referindo-se à privação contÃnua dos direitos cÃvicos devido a ter recebido uma sentença superior a seis meses.
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