
Shah Alam, Malásia, 14 mar (Lusa) – Um tribunal da Malásia rejeitou hoje libertar a vietnamita acusada de matar o meio-irmão do lÃder norte-coreano Kim Jong-un em 2017, depois de na segunda-feira ter deixado cair as acusações sobre a outra ré.
“Em relação ao pedido apresentado em 11 de março ao Procurador-Geral, fomos instruÃdos a continuar o julgamento”, disse o procurador responsável por este caso, Muhammad Iskandar Ahmad, perante o tribunal de Shah Alam, perto de Kuala Lumpur.
O processo da mulher vietnamita, Doan Thi Huong, de 30 anos, está em curso no tribunal há um ano e meio, na sequência do assassÃnio de Kim Jong-nam, em 13 de fevereiro de 2017, com VX, um agente neurotóxico e uma versão altamente letal do gás sarÃn.
Doan começou a chorar ao receber a notÃcia, mas disse aos jornalistas que “não estava zangada com a libertação de Siti [Aisyah]”, a outra ré, de nacionalidade indonésia e que foi também inicialmente acusada de atacar o meio-irmão do lÃder norte-coreano.
“Só Deus sabe que não cometemos o assassÃnio”, afirmou. “Eu quero que minha famÃlia reze por mim”, acrescentou.
O juiz Azmi Ariffin declarou que a vietnamita, a única a permanecer no banco dos réus, não estava “fisicamente e mentalmente” apta para continuar a audiência e adiou o julgamento para 01 de abril.
Já o embaixador do Vietname na Malásia disse estar “muito desapontado por o tribunal não ter libertado Doan”.
“Vamos pedir à Malásia que seja justa e libertá-la o quanto antes”, adiantou à agência de notÃcias France-Presse.
Na segunda-feira, Siti Aisyah, detida há dois anos com Doan Thi Huong sob suspeita do homicÃdio de Kim Jong-nam, foi libertada após os procuradores terem retirado inesperadamente a acusação de homicÃdio.
O juiz do Supremo Tribunal dispensou Aisyah sem absolvição, depois de os procuradores terem dito, sem avançar uma razão, que queriam retirar a acusação de homicÃdio contra a mulher indonésia.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros indonésio afirmou que a libertação de Aisyah se deveu ao contÃnuo esforço diplomático realizado ao mais alto nÃvel e insistiu na ideia de que a indonésia foi “enganada e não teve consciência de que estava a ser manipulada pelos serviços secretos norte-coreanos”.
O episódio fatal teve lugar num terminal de aeroporto em Kuala Lumpur. As duas mulheres alegaram que estavam convencidas de que se encontravam a participar numa brincadeira para um programa de TV.
As acusadas disseram à s autoridades que toda a situação tinha sido orquestrada por um grupo de quatro homens, identificados como cidadãos norte-coreanos pela polÃcia malaia, que lhes pagou 80 dólares a cada uma.
De acordo com a polÃcia, os quatro embarcaram, na sequência do ataque, num avião com destino a Pyongyang.
Desde o primeiro momento que os serviços secretos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos atribuÃram o crime a agentes norte-coreanos, mas Pyongyang argumentou que a morte foi provocada por um ataque cardÃaco e acusou as autoridades da Malásia de conspirarem com os seus inimigos.
As autoridades da Malásia nunca acusaram oficialmente a Coreia do Norte e deixaram claro que não querem que o julgamento seja politizado.
Kim Jong-nam, que viajava com um passaporte com o nome de Kim Chol, ia embarcar para Macau, onde vivia exilado. Era o filho mais velho da atual geração da famÃlia governante da Coreia do Norte, vivia no exterior há anos, mas, segundo vários analistas, poderá ter sido visto como uma ameaça ao lÃder norte-coreano, Kim Jong-un.
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