
Lisboa, 02 set 2025 (Lusa) – O Tribunal de Lisboa informou hoje que pediu ao Tribunal de Cascais a sentença sobre o acompanhamento de Ricardo Salgado, remetendo para mais tarde decisão sobre a eventual extinção do processo Operação Marquês no que diz respeito ao ex-banqueiro.
Em 08 de julho, o Tribunal Local CÃvel de Cascais declarou o acompanhamento de Ricardo Salgado, de 81 anos e doente de Alzheimer, limitando os seus direitos e nomeando como acompanhante (tutora) a sua mulher, com efeitos a 01 de janeiro de 2019.
Num requerimento apresentado na sexta-feira no Tribunal Central Criminal de Lisboa, onde está a ser julgado o processo Operação Marquês, a defesa do ex-presidente do Banco EspÃrito Santo (BES) alegou que tal “constitui um facto novo juridicamente relevante” e, por isso, permite que os juÃzes voltem a apreciar a extinção do processo quanto a Ricardo Salgado ou, “no limite (subsidiariamente), a sua suspensão enquanto durar o estado clÃnico do ora arguido”.
Hoje, na primeira sessão do julgamento da Operação Marquês depois das férias judiciais, a presidente do coletivo de juÃzes, Susana Seca, esclareceu que já tinha pedido ao Tribunal de Cascais “uma certidão da sentença”, que ainda não chegou ao Tribunal de Lisboa.
Quando tal acontecer, o Ministério Público, os arguidos e os assistentes serão chamados a pronunciar-se sobre o tema, antes de os juÃzes tomarem uma decisão.
Ricardo Salgado é um dos 21 arguidos no processo Operação Marquês e responde por oito crimes de branqueamento de capitais e três de corrupção ativa, incluindo um em que o antigo primeiro-ministro José Sócrates (2005-2011) terá sido o alegado corrompido.
Na sessão de hoje, o ex-governante, que responde por 22 ilÃcitos, disse que o que se tem passado no julgamento em relação ao ex-banqueiro lhe tem causado “um sentimento de repulsa”.
“Um tribunal penal que desconsidera o facto de alguém não ter condições para se defender não merece o tÃtulo de democrático”, afirmou José Sócrates.
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