
Teerão, 08 fev 2026 (Lusa) – Um tribunal iraniano condenou a laureada com o Prémio Nobel da Paz Narges Mohammadi a sete anos e meio de prisão, por acusações de conspiração e propaganda contra o regime, naquela que é a oitava sentença contra a ativista.
Narges Mohammadi “foi condenada a seis anos de prisão pelas acusações de conspiração e conluio, um ano e meio por atividades de propaganda e, como pena complementar, uma proibição de viajar durante dois anos”, anunciou hoje o seu advogado, Mostafa Nili, numa publicação na rede social X.
A jornalista distinguida com o prémio Nobel da Paz em 2023, que regressou à prisão em dezembro, tinha iniciado uma greve da fome há uma semana, reivindicando “o direito a fazer um telefonema”, a “ter acesso aos advogados no Irão” e a receber visitas, disse na altura a advogada Chirinne Ardakani, a partir de Paris.
A última chamada telefónica com a família data de 14 de dezembro e esta foi informada da greve de fome por um prisioneiro recentemente libertado, precisou a jurista.
Em janeiro, Narges Mohammadi denunciou uma operação de pressão levada a cabo pelas autoridades de Teerão, na casa do seu irmão na cidade iraniana de Mashhad.
Num comunicado divulgado em 22 de janeiro pela rede X, a fundação com o nome da laureada com o Prémio Nobel da Paz disse ter conhecimento de que agentes de segurança invadiram a casa da família, em Mashhad, e realizaram uma busca na residência.
No texto publicado no perfil da ativista, a fundação refere que este ataque faz parte da crescente e contínua pressão exercida sobre a família de Narges Mohammadi nos últimos meses.
A agência de notícias Efe relatou na altura, citando fontes que não se quiseram identificar, que a detenção de Narges Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica, o que, especialmente devido ao seu histórico de problemas cardíacos, colocou a sua vida em grave perigo.
Nesse mesmo contexto, um dos detidos recentemente libertados do Centro de Detenção de Inteligência de Mashhad descreveu o estado físico de Narges Mohammadi e de seu companheiro, Pouran Nazemi, como “alarmante”.
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