Tribunal esclarece que prorrogação de votação no Brasil é apenas onde as urnas estavam abertas

Brasília, 25 out 2026 (Lusa) — O Supremo Tribunal Federal (STF) esclareceu hoje que a prorrogação por mais duas horas da votação em todo o Brasil só é válida para os locais onde as urnas ainda estavam abertas.

“Determino que a decisão seja cumprida nos locais onde as urnas não foram fechadas, com a posterior totalização dos votos nas condições enunciadas, sendo que, nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados”, escreveu o juiz Cristiano Zanin num nova decisão, consultada pela Lusa.

A votação no Brasil, que decorre em urnas eletrónicas, deveria encerrar às 17:00 locais (20:00 em Lisboa), e agora estende-se até às 19:00 (22:00 em Lisboa).

A decisão do juiz atendeu a um pedido da campanha do Presidente Lula da Silva, que acionou tanto o Tribunal Superior Eleitoral, quanto o STF, denunciando que em algumas cidades, entre elas São Paulo e Salvador, foi reduzida a frota de veículos, o que teve impacto no direito de os eleitores irem votar.

Mais cedo, o presidente Lula da Silva, afirmou que as pessoas não podiam ser “prejudicadas pelo banditismo de alguns empresários ou alguns prefeitos” e listou mais de 10 grandes cidades.

“Essas pessoas precisam aprender a respeitar a democracia neste país e quem está falando é uma pessoa que já disputou muita eleição e já respeitou muitos resultados”, realçou Lula.

Flávio Bolsonaro também acionou o TSE pedindo a prorrogação da votação, mas apenas em cidades brasileiras afetadas pelas fortes chuvas nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O argumento é que as chuvas, inundações e falta de energia dificultaram o acesso de eleitores às urnas. O pedido, no entanto, não chegou a ser analisado pelo TSE.

Os mais de 158,7 milhões de eleitores poderão votar agora até às 19:00 locais (22:00 em Lisboa) nas cerca de 564.000 urnas eletrónicas espalhadas por 5.571 cidades do país, além de 186 cidades no exterior, como Lisboa, Porto e Faro.

Na primeira volta, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

Os dois estão tecnicamente empatados nas sondagens, retrato de um país dividido.

Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, de esquerda, e antigo sindicalista, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal e apoiado pela direita, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o ex-operário que tenta agora vencer.

MYMA // VM

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