
Colombo, 12 mai 2022 (Lusa) – Um tribunal do Sri Lanka anunciou hoje que proibiu o ex-primeiro-ministro Mahinda Rajapaksa, o seu filho Namal e 15 dos seus apoiantes de deixarem o paÃs devido a atos de violência cometidos contra os manifestantes anti-governo.
Um magistrado de Colombo também iniciou uma investigação policial aos ataques de segunda-feira contra manifestantes antigovernamentais pacÃficos que deixaram pelo menos nove mortos e danos generalizados.
Na segunda-feira, partidários do Governo, trazidos das provÃncias para a capital Colombo e galvanizados pelo então primeiro-ministro cingalês Mahinda Rajapaksa, atacaram os manifestantes antigovernamentais.
A população da ilha, sobrecarregada por meses de grave escassez de alimentos, falta de combustÃvel, medicamentos e por cortes de energia, iniciou, há semanas, protestos pacÃficos a pedir a renúncia do Presidente Gotabaya Rajapaksa e a saÃda do seu irmão Mahinda Rajapaksa, que acabou por deixar o cargo de primeiro-ministro na segunda-feira.
A renúncia do primeiro-ministro causou a dissolução do Governo, tendo o Presidente — ele próprio um militar reformado – pedido a constituição de um Governo de unidade nacional.
Gotabaya Rajapaksa — que chegou ao poder em 2019 como herói militar e com a promessa de prosperidade económica e maior segurança – foi hoje criticado por duas organizações não-governamentais (ONG) pelo seu papel nas “operações brutais contra insurgentes no final dos anos 1980”.
O Sri Lanka está, desde o inÃcio desta semana, sob regime de recolher obrigatório e com milhares de militares nas ruas com instruções para disparar sobre qualquer pessoa que ataque propriedade alheia ou cometa atos de violência.
VeÃculos blindados que transportam soldados pelas ruas da capital, Colombo, provocaram receio de um golpe militar iminente, possibilidade que tem sido discutida por milhares de pessoas nas redes sociais.
O secretário do Ministério da Defesa do Sri Lanka, Kamal Gunaratne, descartou na quarta-feira que haja um golpe militar no paÃs, apesar de terem sido enviados milhares de soldados para controlar protestos nas ruas e de o primeiro-ministro se ter demitido.
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