Três detidos por tentarem roubar 800.000 litros de combustível em Moçambique

Beira, Moçambique, 12 set 2026 (Lusa) — As autoridades moçambicanas detiveram um moçambicano e dois zimbabueanos suspeitos de tentarem roubar 800.000 litros de combustível, recorrendo a documentação falsificada no terminal de cargas do Porto da Beira (centro), foi hoje anunciado.

Os três suspeitos, entre os quais um moçambicano apontado como técnico aduaneiro de uma empresa responsável pela tramitação documental para autorizar a saída de camiões-cisterna e dois motoristas zimbabueanos, foram detidos em 31 de agosto, na cidade da Beira, acusados do crime de furto agravado de combustível, disse o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) em Sofala, Alfeu Sitóe.

De acordo com o responsável, as detenções ocorreram no âmbito das investigações de um caso de furto agravado de 400.000 litros de gasóleo, carregados num camião-cisterna com destino à província de Manica, ocorrido em 13 de maio, com recurso a documentos falsos.

Alfeu Sitóe explicou que as detenções resultaram de denúncias sobre a existência de um grupo que pretendia repetir o esquema utilizado naquele caso, através da falsificação de documentos, para desviar uma nova carga de combustível.

“Desta vez vinham com dois camiões. Então, um camião tem capacidade de 400 mil litros e dois são 800 mil litros”, disse a Lusa o porta-voz do Sernic.

Segundo a investigação, o técnico aduaneiro terá sido abordado para facilitar a operação, permitindo o carregamento dos camiões-cisterna mediante a utilização de documentação falsificada, em troca de pagamentos a efetuar de forma faseada até à chegada da carga ao destino final, ainda desconhecido pelas autoridades.

“Da primeira vez carregaram. Conseguiram, o crime foi consumado e chegaram ao destino, e neste momento estamos atrás para saber para onde foi exatamente”, acrescentou Alfeu Sitóe.

A polícia indicou ainda que os dois cidadãos zimbabueanos aguardam o desenrolar do processo em liberdade, mediante caução, por decisão do juiz de instrução criminal, enquanto o suspeito moçambicano permanece em prisão preventiva por não ter efetuado o pagamento da caução aplicada.

O porta-voz reiterou o compromisso das autoridades no combate à criminalidade, apelando à população para denunciar e partilhar informações relevantes que permitam prevenir a ocorrência de crimes e responsabilizar os autores.

Em Moçambique são recorrentes casos de roubo de combustível envolvendo também estrangeiros, desde abril e maio, meses marcados por fortes pressões sobre os combustíveis, depois do preço do gasóleo ter subido em 07 de maio 45,5% e o da gasolina 12,1% por litro.

Nos mesmos meses, a escassez de gasolina e gasóleo provocou filas de dezenas de viaturas e levou ao reforço da presença da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da polícia em postos de abastecimento que dispunham de combustível, para garantir a segurança e controlar a afluência de automobilistas, motociclistas e consumidores munidos de recipientes.

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