
Redação, 22 mai 2025 (Lusa) — As emissões não relacionadas com os escapes dos veÃculos, como as resultantes do desgaste dos travões, pneus e pavimento, são atualmente a principal fonte de poluição por partÃculas do transporte rodoviário, conclui um estudo divulgado hoje.
As conclusões do estudo, com ênfase na ideia que a redução do uso do carro traria benefÃcios maiores do que a eletrificação da frota, foram apresentadas hoje na cimeira anual do Fórum Internacional dos Transportes, em Leipzig, Alemanha, por Yoann Le Petit, da “EIT Urban Mobility”, uma das entidades promotoras.
A poluição por partÃculas continua a ser uma das ameaças mais graves para a saúde ambiental na Europa. Em 2022, mais de 96% da população estava exposta a concentrações de PM2,5 (partÃculas com um diâmetro de 2,5 micrómetros ou menos) acima dos limites definidos pela Organização Mundial de Saúde.
Com as emissões de escape tradicionais a diminuir graças à eletrificação e à regulamentação, a atenção está agora a virar-se para este tipo de emissões de partÃculas, que em Londres, Milão e Barcelona, representam entre 68% e 88% das PM10 (diâmetro inferior a 10 micrómetros) provenientes dos transportes rodoviários e até 78% das PM2,5.
Além de prejudicarem a qualidade do ar, as partÃculas contaminam a água e o solo, suscitando preocupações quanto aos danos ecológicos a longo prazo e à acumulação de microplásticos.
O desgaste dos travões é atualmente a maior fonte de partÃculas nas zonas urbanas, com mais de 40% das partÃculas resultantes a serem transportadas pelo ar. O desgaste dos pneus também tem papel significativo e a maior parte dos resÃduos acumula-se na poeira da estrada ou é arrastada para os ecossistemas circundantes.
As próximas normas europeias introduzirão, pela primeira vez, limites para as emissões de desgaste dos travões e dos pneus – com inÃcio em 2026 e 2028, respetivamente – mas aplicar-se-ão apenas a veÃculos novos
O estudo conclui que acelerar a adoção de componentes resistentes ao desgaste em todas as frotas permitiria obter benefÃcios significativos mais cedo. Mas adverte que qualquer transição deve ser acompanhada de uma avaliação sólida da toxicidade dos materiais.
O abandono da utilização do automóvel particular surge como a estratégia mais eficaz. Os modelos mostram que a substituição das viagens de automóvel por transportes públicos, deslocações a pé ou de bicicleta permite reduzir as emissões de partÃculas até cinco vezes mais do que a simples eletrificação da frota.
Os responsáveis pelo estudo apelam à s autoridades locais para que considerem as partÃculas como uma importante fonte de poluição e respondam em conformidade. Tal significa expandir as zonas de baixas emissões, baixar os limites de velocidade para reduzir a travagem, ou penalizar os veÃculos de combustão mais pesados, como os SUV.
Os investimentos em transportes públicos e em infraestruturas para andar a pé e de bicicleta devem constituir a espinha dorsal dos esforços para reduzir a dependência do automóvel, concluem.
A “EIT Urban Mobility” foi fundada em 2019 por iniciativa do Instituto de Inovação e Tecnologia (EIT), um organismo da União Europeia. Tem como objetivo acelerar a transição para a mobilidade sustentável.
Além da “EIT Urban Mobility” o estudo foi patrocinado pelas organizações “Transport for London” e “Greater London Authority” e usou Londres como caso de estudo para investigar as intervenções técnicas e polÃticas para reduzir as emissões de partÃculas.
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