
Maputo, 28 mar 2022 (Lusa) — A Federação Moçambicana de Transportadores Rodoviários (Fematro) pediu hoje “ações urgentes e não apenas palavras” por parte do Governo visando evitar uma paralisação geral do transporte público de passageiros face ao agravamento dos preços dos combustÃveis.
“O setor de transporte público de passageiros precisa de ações urgentes e não apenas de palavras, porque a atividade está insustentável”, afirmou à Lusa o presidente da Fematro, Castigo Nhamane.
Nhamane falava a propósito da recente multiplicação de casos de paralisação do transporte público nalgumas cidades moçambicanas, em protesto contra a última subida de preços dos combustÃveis no paÃs.
Aquele dirigente associativo avançou que, paulatinamente, muitos transportadores estão a “arrumar” os seus veÃculos, porque são incapazes de comportar os elevados custos de atividade.
“A crise de transporte vai agudizar-se, porque há transportadores que estão a sair de circulação: com os atuais custos já não temos negócio”, declarou.
Castigo Nhamane afastou, para já, a possibilidade do aumento de preço de viagem nos transportes públicos, alertando que uma subida seria sufocante para os passageiros.
“Para já, aumentar a tarifa não é uma opção, porque conhecemos a frágil situação económica” da população, observou Nhamane.
O presidente da Fematro declarou que não há uma decisão da organização no sentido da paralisação geral da atividade, considerando ações individuais os casos em que alguns transportadores se recusaram a levar passageiros em protesto contra a subida dos preços dos combustÃveis.
O alÃvio dos custos de transporte, prosseguiu, passa por ações urgentes do Governo, que incluam a bonificação do preço de venda de peças sobressalentes, através de lojas especiais para transportadores de passageiros.
A Autoridade Reguladora de Energia (Arene) de Moçambique anunciou no dia 16 novos preços dos combustÃveis, apontando a alta do custo do crude no mercado internacional como razão do aumento.
De acordo com a nova tabela de preços que a Arene divulgou, o preço do litro da gasolina subiu de 69,94 meticais (0,99 euros) para 77,39 meticais (pouco mais de um euro), o litro do petróleo de iluminação aumentou de 47,95 meticais (0,68 euros) para 50,16 meticais (0,71 euros) e o de gasóleo passou de 61,71 meticais (0,88 euros) para 70,97 meticais (pouco mais de um euro).
O quilo do gás de cozinha (GPL) passou de 71,2 meticais (mais de um euro) para 80,49 (1,1 euros) e o gás natural veicular (GNV) aumentou de 32,69 meticais (0,45 euros) para 37,09 meticais (0,52 euros).
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