
Viana do Castelo, 17 abr 2019 (Lusa) – Um grupo de transporte público que serve cinco dos dez concelhos do Alto Minho informou hoje a redução de 70% das 140 carreiras diárias devido à greve dos motoristas de matérias perigosas, limitando os serviços à s horas de ponta.
“Estamos com dificuldade em garantir o abastecimento de combustÃvel para os 75 autocarros da Auto Viação Cura e da Transcolvia, e por esse motivo as carreiras públicas de transporte de passageiros funcionarão apenas entre 07:00 e as 09:00 e entre as 17:00 e as 20:00”, afirmou o porta-voz do grupo Cura, Rui Matos.
O responsável adiantou que os dois operadores do grupo servem os concelhos de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez e Caminha.
Rui Matos informou que “os autocarros Expresso e os serviços internacionais, num total de seis, não vão sofrer alterações por serem considerados prioritários”.
Segundo o responsável, “o grupo emprega atualmente cerca de 70 trabalhadores, entre eles 55 motoristas”.
“Estamos a fazer todos os esforços para minimizar os transtornos causados a todos os nossos passageiros, garantindo, para já, o transporte de e para o trabalho de cada um, sendo que não serão suprimidos [os autocarros em] qualquer horário de manhã e ao final do dia”, especificou.
Contactado pela agência Lusa, o segundo Comandante Operacional Distrital (CODIS) de Viana do Castelo, Paulo Barreiro, informou “estar a ser feita uma monitorização constante” do impacto da crise dos combustÃveis motivada pela greve dos motoristas de matérias perigosas.
“Está a ser feito um acompanhamento constante do evoluir da situação a nÃvel nacional para podermos agir com a maior celeridade a nÃvel distrital no sentido de garantir o socorro à s populações”, sustentou Paulo Barreiro.
No final de uma reunião no Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Viana do Castelo, que juntou os diversos agentes que integram o dispositivo da proteção civil na região, o responsável adiantou que, até à s 12:30 de hoje, o socorro à população do Alto Minho “decorreu sem qualquer constrangimento”.
“Nenhum dos agentes de proteção civil do distrito de Viana do Castelo reportou qualquer constrangimento ao nÃvel do abastecimento de combustÃvel. Todas as organizações estão a efetuar o seu desempenho normal de forma a garantir o normal socorro à s populações”, disse.
O responsável adiantou que a periodicidade das reuniões com o dispositivo distrital poderá ser “mais frequente se a evolução dos acontecimentos assim o determinar”.
No distrito de Viana do Castelo, seis municÃpios situados no vale do rio Minho (Monção, Melgaço, Valença, Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira e Caminha) têm mais facilidade no acesso aos combustÃveis face à proximidade com a Galiza. O municÃpio de Viana do Castelo é, dos quatro concelhos situados no vale do rio Lima (Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez), o que fica mais perto da primeira ponte internacional que liga vila Nova de Cerveira à povoação espanhola de Tomiño, a cerca de 42 quilómetros de distância.
A greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou à s 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional especÃfica.
A Associação Portuguesa de Empresas PetrolÃferas (Apetro) informou que não foi ainda retomado o abastecimento dos postos de combustÃvel, apesar da requisição civil, e que já há marcas “praticamente” com a rede esgotada.
O primeiro-ministro admitiu alargar os serviços mÃnimos e adiantou que o abastecimento de combustÃvel está “inteiramente assegurado” para aeroportos, forças de segurança e emergência.
Na terça-feira, alegando o não cumprimento dos serviços mÃnimos decretados, o Governo avançou com a requisição civil, definindo que até quinta-feira os trabalhadores a requisitar devem corresponder “aos que se disponibilizem para assegurar funções em serviços mÃnimos e, na sua ausência ou insuficiência, os que constem da escala de serviço”.
No final da tarde de terça-feira, o Governo declarou a “situação de alerta” devido à greve, avançando com medidas excecionais para garantir os abastecimentos e, numa reunião durante a noite com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e o SNMMP, foram definidos os serviços mÃnimos.
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