
Maputo, 30 out 2026 (Lusa) — A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (Fematro) confirmou hoje que aceitou um aumento de cinco meticais (0,07 euros) nas tarifas dos transportes semicolectivos de passageiros na região metropolitana de Maputo, apesar de ter proposto quatro vezes.
O presidente da organização, Paulo Muthisse, disse, em conferência de imprensa, que o aumento acordado com o Governo ficou aquém da proposta inicial dos transportadores, de 20 meticais (0,28 euros), mas resulta do entendimento após várias rondas de negociações.
As novas tarifas, conforme a Lusa noticiou na quinta-feira, deverão começar a ser aplicadas em 07 de novembro.
“Satisfeito não, porque a nossa proposta era de 20 meticais, os cinco meticais não satisfazem ainda a preocupação do transportador”, declarou Muthisse.
Reconhecendo que o aumento não corresponde à pretensão dos operadores, o presidente da Fematro explicou que o acordo para o valor teve também em conta a capacidade financeira dos passageiros, que dependem diariamente dos transportes semicolectivos para as suas deslocações.
“Nós não só olhamos para o nosso lucro, mas também olhamos para a situação do povo moçambicano. Isso também pesou muito”, afirmou.
O entendimento foi alcançado nas negociações entre a Federação e a Agência Metropolitana de Transportes (AMT), que representou o Governo no processo.
O reajustamento surge vários meses depois de se verificarem aumentos dos preços dos combustíveis, que levaram os transportadores a reivindicar a revisão das tarifas para fazer face à subida dos custos operacionais.
Em 07 de maio, o preço do gasóleo aumentou 45,5% e o da gasolina 12,1%, tendo o Governo associado a subida à evolução do mercado internacional e às dificuldades de abastecimento relacionadas com o conflito no Médio Oriente.
Para evitar uma subida imediata das tarifas, o executivo introduziu, na altura, um mecanismo temporário de compensação aos transportadores. O apoio financeiro vigorou entre junho e agosto, período durante o qual o Governo esperava uma melhoria das condições nos mercados internacionais de energia.
O porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, admitiu posteriormente que o Estado não poderia manter indefinidamente os subsídios atribuídos aos operadores.
Questionado sobre as compensações, Muthisse considerou que a forma como o mecanismo era aplicado prejudicava os operadores, embora reconhecesse a importância do apoio. Defendeu que os transportadores devem assegurar a sustentabilidade da atividade através da prestação regular do serviço de transporte de passageiros.
O presidente da Fematro esclareceu que o entendimento abrange apenas a região metropolitana de Maputo, onde a tarifa mínima praticada era de 15 meticais (0,21 euros) por percurso. Nas restantes províncias, as negociações deverão ser conduzidas pelas associações locais, em articulação com os respetivos governos provinciais.
A Federação anunciou ainda que pretende acompanhar a aplicação das novas tarifas nas paragens de maior movimento, a partir de 07 de novembro, para fiscalizar o serviço e combater os encurtamentos de rotas.
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