
Lisboa, 17 abr (Lusa) – Vários trabalhadores da cadeia de supermercados Pingo Doce protestaram esta manhã junto à sede da empresa, em Lisboa, pedindo avanços na negociação do contrato coletivo e o fim da discriminação nas tabelas salariais.
À agência Lusa, Libério Domingues, coordenador da união de sindicatos de Lisboa e da comissão executiva da CGTP, afirma que a ação pretende o “fim da discriminação salarial”.
“Esta ação de protesto tem a ver com um conjunto de reivindicações que os trabalhadores vêm colocando ao longo dos anos e que passa pela existência de discriminações ao nÃvel das tabelas salariais, verificando-se uma situação aberrante, que é o facto de um trabalhador, com a mesma categoria profissional, ter um salário em Lisboa e [um outro trabalhador com a mesma categoria profissional] ter outro no interior. É inadmissÃvel”, disse Libério Domingues.
O responsável sindical acusou o Pingo Doce, que preside à APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, de estar a dar “um péssimo exemplo” ao não dialogar com os trabalhadores.
“[A empresa] Tem dado um péssimo exemplo, como disse há pouco, é esta empresa que preside à associação patronal [do setor] e o exemplo que tem dado é extremamente negativo. Não há respostas à s questões colocadas pelos trabalhadores, não há respostas à quilo que o sindicato tem apresentado”.
Isabel Camarinha, da direção do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, revelou que a ação de protesto comporta duas vertentes.
A primeira “é exigir da empresa Pingo Doce/Jerónimo Martins que responda à quilo que são as reivindicações dos trabalhadores, a outra é exigir que esta empresa, que é presidente da associação patronal – a APED -, contribua para que o contrato coletivo seja negociado”, disse a representante sindical, que lembrou que o contrato coletivo de trabalho “está em negociação há já 17 meses”.
A representante do CESP refere que o contrato é necessário porque na empresa “os trabalhadores trabalham sete dias por semana, quase todos os dias do ano, com horários penosÃssimos e que todos os dias têm alterações”.
Alexandra Gonçalves, funcionária da loja do Pingo Doce na Avenida do Uruguai, em Benfica, acredita que ela e os colegas estão a ser vÃtimas de “assédio” por parte dos gerentes e diretores das lojas.
“Estamos a falar do assédio perante os gerentes e membros da direção das lojas, em que pedem para os trabalhadores fazerem mais horas, ou pedem para os trabalhadores fazerem serviços que não sejam dos departamentos deles”, revelou.
A funcionária, que pertence aos quadros da empresa há 16 anos, realça que se os trabalhadores recusarem “vão massacrá-los ao ponto das pessoas se despedirem e com isso eles levam a deles avante – vai havendo menos trabalhadores e vai havendo cada vez mais trabalho para os outros que lá ficam”.
Isabel Camarinha reforçou que os trabalhadores “vão continuar a lutar” pelo contrato coletivo e prometeu mais iniciativas.
“Todos os trabalhadores das empresas de distribuição têm já um pré-aviso de greve para o dia 01 de maio”, garantiu a representante do CESP, que considera “vergonhosa” a abertura dos supermercados no dia do trabalhador, uma vez que “ninguém tem uma necessidade absoluta de ir à s compras no dia primeiro de maio”.
No protesto estiveram cerca de cem trabalhadores e representantes sindicais, tal como constatou a Lusa no local.
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