Trabalhadores da Lusa convocam plenário à porta da empresa em 26 de fevereiro

Lisboa, 19 fev 2026 (Lusa) – Os trabalhadores da Lusa aprovaram hoje, em plenário, uma resolução em defesa da independência da agência e contra riscos de ingerência externa, e convocaram um plenário à porta da empresa para o dia 26 de fevereiro.

No comunicado divulgado pelos sindicatos após o plenário, é sublinhada “apreensão sobre a situação atual e futura da agência”, perante as “incertezas que se colocam relativamente à independência da empresa, abertas pelo novo modelo de governação e pela reestruturação em curso”.

No documento, aprovado por “larga maioria”, os trabalhadores consideram que os novos estatutos da Agência Lusa, publicados em 28 de janeiro de 2026, “agravam os riscos de ingerência externa, desde logo de influência política e de governamentalização”, contrariando “a proteção da independência conferida pela Constituição e pelo Regulamento Europeu de Liberdade dos Meios de Comunicação Social”, sustentam.

A resolução recorda que os estatutos agora aprovados preveem que o parlamento passe a fiscalizar a atividade da agência através da presença da Direção de Informação na Assembleia da República e alertam que a composição do novo Conselho Consultivo “agrava o risco de influência política”.

Os trabalhadores referem também que está previsto um plano de rescisões sem que seja conhecida “qualquer estratégia de reforço de quadros no território e nas delegações” e consideram que a eventual mudança da sede para um edifício da RTP, que segundo os sindicatos, foi admitida pela administração, “diminui a independência funcional da agência”.

Em 06 de fevereiro, o presidente do Conselho de Administração da Lusa, Joaquim Carreira, afirmou que as prioridades são o plano de modernização da agência, a definição do novo contrato de serviço público e as sinergias, acrescentando que a questão da sede não está atualmente em cima da mesa.

Tendo em conta os quatro pontos, foi convocada uma concentração à porta da Lusa, em Lisboa e Porto, e nos restantes locais de trabalho, para 26 de fevereiro de 2026, entre as 11:30 e as 13:00, para “exigir transparência na definição do futuro da agência e a participação dos sindicatos e outros órgãos representativos dos trabalhadores” e “a autonomia estratégica, física e funcional da Lusa”.

As outras reivindicações passam por “exigir mecanismos de proteção contra riscos de ingerência externa na prestação do serviço público, o que implica a revisão dos estatutos da Lusa” e “aumentos salariais”.

O comunicado é subscrito pelo Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas e Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços.

SCR (PD) // MSF

Lusa/Fim