Torre de Belém soma mais de 15 mil visitantes desde a reabertura há três semanas

Lisboa, 19 jun 2026 (Lusa) — Mais de 15 mil pessoas visitaram a Torre de Belém, em Lisboa, nas primeiras três semanas após a reabertura ao público, depois da conclusão de uma intervenção de conservação e restauro num dos mais emblemáticos monumentos do país.

A afluência registada desde o dia 27 de maio foi divulgada pela empresa pública Museus e Monumentos de Portugal (MMP), considerando, numa informação no seu ‘site’, que representa “a relevância cultural e patrimonial” do monumento inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 1983 e considerado um dos principais símbolos da cidade de Lisboa.

A reabertura do monumento ocorreu após cerca de um ano de obras realizadas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num investimento de aproximadamente um milhão de euros destinado à conservação e valorização daquele exemplar da arquitetura manuelina do século XVI, referiu na véspera da reabertura a diretora, numa visita guiada para jornalistas.

Margarida Donas Botto afirmou que os visitantes encontrariam uma torre “de cara lavada, a brilhar por dentro e por fora”, considerando que o monumento foi devolvido ao seu “esplendor inicial”.

A responsável destacou igualmente a recuperação da luminosidade característica da pedra de lioz, material utilizado na construção da torre, cuja limpeza permitiu restituir ao monumento a aparência original.

Entre as intervenções realizadas estão trabalhos de consolidação e limpeza das superfícies pétreas, requalificação de caixilharias, reforço estrutural e modernização de sistemas técnicos e elétricos, numa operação que constituiu a primeira intervenção de fundo desde 1998.

A reabertura foi acompanhada pela aplicação de um novo modelo de visitação, assente em horários de entrada previamente definidos, com o objetivo de melhorar a experiência dos visitantes e assegurar a preservação do monumento.

O sistema estabelece um máximo de 60 entradas por cada meia hora, num limite diário de cerca de 900 visitantes, reduzindo a pressão sobre os espaços interiores, nomeadamente a escada em caracol que liga os vários pisos da torre.

Segundo Margarida Donas Botto, a alteração pretendeu responder às longas filas de espera que se verificavam antes do encerramento para obras, quando muitos visitantes permaneciam expostos durante largos períodos às condições meteorológicas e, em alguns casos, acabavam por não conseguir entrar.

A diretora defendeu ainda, na altura, que a ligeira redução da capacidade diária resulta de preocupações de segurança e de conservação patrimonial, considerando essencial garantir a sustentabilidade futura de um monumento que recebia anualmente mais de 400 mil visitantes.

A responsável admitiu igualmente que está a ser ponderada a possibilidade de realização de visitas em horário noturno, como forma de diversificar a oferta ao público.

Até ao encerramento para obras, a maioria dos visitantes da Torre de Belém era proveniente do estrangeiro, embora a direção do monumento tenha manifestado o desejo de aumentar a presença de visitantes portugueses, beneficiando do regime de gratuitidade que permite aos residentes em Portugal visitar museus e monumentos nacionais até 52 vezes por ano.

Localizada na margem norte do rio Tejo, a Torre de Belém foi construída no início do século XVI como estrutura defensiva da barra de Lisboa e constitui um dos mais reconhecidos símbolos da expansão marítima portuguesa.

Classificada Património Mundial pela UNESCO desde 1983, juntamente com o Mosteiro dos Jerónimos, continua a ser um dos monumentos mais visitados do país e uma das principais atrações culturais e turísticas da capital.

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