
Redação, 08 jul 2021 (Lusa) — A nadadora Victoria Kaminskaya manifestou-se hoje “triste e irritada” por não poder participar nos Jogos OlÃmpicos Tóquio2020 com mÃnimos B, e deixou crÃticas à federação portuguesa da modalidade, que levaram o organismo a decidir levantar-lhe um processo de inquérito.
Nas suas páginas nas redes sociais, a nadadora admite “não ter conseguido fazer mÃnimo A, por cerca de um décimo”, mas lembra que a FINA [Federação Internacional de Natação], com base nos ‘rankings’, pode selecionar atletas com mÃnimo B, através de vagas, para preencher determinadas provas”.
“Acontece que hoje, uma atleta que estava atrás de mim no ‘ranking’ foi selecionada e eu não. Tudo porque a federação portuguesa de natação decidiu que este ano não levava ninguém por ranking e comunicou isso à FINA. Eu não estou a dizer que isto é uma novidade para mim, a federação avisou que não ia levar ninguém por ranking, mas isto foi dito antes da covid-19, em 2019. (Engraçado que isto não está documentado nem oficializado em lado nenhum, apenas palavras de uma reunião)”, refere a nadadora do Benfica.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Federação Portuguesa de Natação (FPN) garante que os mÃnimos para participação nos Jogos Tóquio2020 “estão previstos, há dois anos, no Plano de Alto Rendimento (PAR) acordado com o Comité OlÃmpico de Portugal (COP) e foram comunicados em várias reuniões, com treinadores e nadadores, das quais há atas”.
“A única responsabilidade de não participação nos Jogos OlÃmpicos deve-se à não obtenção da marca que estava prevista pela FPN e pelo COP na sua prova de referência que é os 200 bruços”, disse António José Silva, garantindo que a FPN “se solidariza com a frustração decorrente da não obtenção de mÃnimos”.
Kaminskaya lembra que a pandemia de covid-19 teve uma influência negativa na preparação e deixa crÃticas à FPN: “As circunstâncias mudaram, tivemos menos provas, estivemos dois meses parados, para não falar que as duas competições organizadas em Portugal pela federação, este ano, para a realização de mÃnimos olÃmpicos foram um completo fracasso, vergonha e falta de respeito para os atletas e treinadores que ainda estavam a tentar fazer mÃnimos e fizeram de tudo para treinar, voltar mais fortes e contornar as consequências da quarentena”.
Na sequência desta publicação a FPN decidiu, de acordo com o seu presidente, levantar um processo à nadadora, que marcou presença nos Jogos OlÃmpicos Rio2016.
“Face à gravidade das declarações difamatórias e falsas da atleta, aludindo a factos que não correspondem nem à verdade, nem ao princÃpio subjacente à construção dos mÃnimos olÃmpicos definidos pela federação e pelo COP, será levantado um processo inquérito, conducente a processo disciplinar à nadadora”, afirmou António José Silva.
O presidente da FPN disse esperar que “a exemplo do que aconteceu com Diana Durães, que não foi aos Jogos Rio2016 tendo mÃnimo B, e agora vai a Tóquio com mÃnimo A, a nadadora prossiga os treinos e consiga marcar presença em futuras edições”.
António José Silva referiu ainda que entre os sete atletas de natação pura que vão representar Portugal em Tóquio2020, há dois — José Paulo Lopes e Francisco Santos – que irão participar em provas com mÃnimo B, explicando que tal só acontece “porque têm mÃnimos A para outras provas e porque o regulamento da FINA o permite”.
Além de sete representantes na natação pura, Portugal vai estar representado por dois nadadores na competição de águas abertas dos Jogos OlÃmpicos Tóquio2020, que decorrerão entre 23 de julho e 08 de agosto.
AO // AJO
Lusa/Fim



