
DÃli, 11 set 2024 (Lusa) — O cardeal VirgÃlio do Carmo da Silva, arcebispo de DÃli, afirmou hoje que os timorenses mostraram “maturidade ao mundo” durante a visita que o Papa Francisco realizou a Timor-Leste.
“Para dizer que, mais uma vez, nós mostramos ao mundo a nossa maturidade como timorenses, como cristãos, como católicos”, afirmou o arcebispo de DÃli.
O cardeal VirgÃlio do Carmo da Silva falava após um encontro com o primeiro-ministro para fazer o balanço da visita de Francisco ao paÃs, entre segunda-feira e hoje, no âmbito de um périplo à região.
Milhares de timorenses acompanharam a passagem do Papa Francisco pelas ruas da cidade de DÃli e centenas de milhares participaram na missa em Tasi Tolu, com o Vaticano a indicar a presença de cerca de 600.000 pessoas no recinto.
“Para mim, primeiro foi um milagre”, disse o arcebispo de DÃli, salientando, contudo, que estavam criadas as condições para a presença dos fiéis, porque todos estavam convidados para a festa.
“O registo provocou alguma resistência, mas, eu pessoalmente, confiei que todos iriam participar e vi logo a realidade no primeiro dia”, afirmou o único cardeal de Timor-Leste, referindo-se à forma como os timorenses receberam o Papa na segunda-feira, após ter aterrado no aeroporto internacional de DÃli.
“Cada timorense, cada cristão, sentiu que era uma festa para todos”, afirmou o cardeal VirgÃlio do Carmo da Silva.
O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão felicitou o povo e destacou o comportamento “muito bom dos jovens”, de “harmonia e de paz” e “sem violência”.
Xanana Gusmão e o arcebispo de DÃli agradeceram também o trabalho de todos os que estiveram envolvidos na organização da visita do Papa Francisco.
Questionado pela Lusa sobre a advertência do Papa aos timorenses, pedindo-lhes para terem cuidado com os crocodilos que mordem, Xanana Gusmão disse que era preciso “saber interpretar as palavras” de Francisco.
“Quando o Papa Francisco falou de artes marciais e para as utilizarem como arte e não para criar violência, para se matarem, baterem uns aos outros, comparou aqueles que não seguem os ensinamentos da fraternidade humana com crocodilos que mordem, que matam”, afirmou Xanana Gusmão.
No primeiro discurso que fez em DÃli, na segunda-feira, o Papa Francisco manifestou preocupação com a “formação de bandos que, munidos dos conhecimentos de artes marciais, em vez de os utilizarem ao serviço dos indefesos, utilizam-nos como ocasião para mostrar o poder efémero e nocivo da violência”.
Depois no final da missa de terça-feira, em Tasi Tolu, pediu aos timorenses para “estarem atentos” porque “em algumas praias vivem crocodilos”, que “nadam” e “mordem”.
“Estejam atentos a esses crocodilos, que querem mudar-vos a cultura e a história”, afirmou Francisco.
“Não se aproximem desses crocodilos porque mordem e mordem muito”, disse, perante os aplausos dos timorenses, depois de ter sido traduzido para tétum.
A visita do Papa teve inÃcio na segunda-feira com uma cerimónia de boas-vindas na Presidência timorense e um encontro com as autoridades, sociedade civil e corpo diplomático timorense.
No segundo dia da visita, o ponto alto foi a missa realizada em Tasi Tolu, a cerca de dez quilómetros a oeste de DÃli, para centenas de milhares de pessoas.
Desde as primeiras horas da manhã, milhares de timorenses posicionaram-se nas estradas da cidade, para um último adeus a Francisco antes de partir para Singapura, onde termina sexta-feira a 45.ª viagem apostólica internacional e a mais longa, que teve inÃcio na Indonésia e incluiu também a Papua Nova Guiné.
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